
Galeria de Minerais pronta para resistir aos próximos 200 anos
O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra inaugurou ontem a renovada Galeria de Minerais José Bonifácio d’ Andrada e Silva. Uma pequena grande revolução, empreendida nos últimos três anos, visando dar um cunho mais contemporâneo ao espaço. Mantiveram-se os armários e, claro, os minerais. Uma boa “mão cheia” destes compostos químicos naturais, que começaram a ser reunidos há 250 anos. A exposição apresenta «alguns milhares», uma amostra do vasto espólio pertencente ao Museu da Ciência.
«Em armazém temos mais de 15 mil exemplares», explicou o diretor do Museu da Ciência ao Diário de Coimbra. Minerais representativos de todos os grupos, desde os Silicatos aos Fosfatos, passando pelos Boratos, pelos Nitratos ou pelos Iodados, entrre muitos outros. Um universo quase infinito de minerais, compostos químicos naturais, dos quais se extraem grande parte das matérias-primas utilizadas nos mais variados domínios. «São particularmente bonitos porque estão bem cristalizados», explica Paulo Trincão, apontando alguns dos exemplares que chamam a atenção pela vivacidade e exuberância das suas cores.
Uma galeria que começou a ser construída há 250 anos e que homenageia José Bonifácio d’ Andrada e Silva (1763-1838), um mineralogista brasileiro de renome, que foi aluno e professor da Universidade de Coimbra. Um espaço localizado no 1.º andar do Colégio de Jesus que o Museu da Ciência se empenhou em modernizar, «com recurso a sistemas cristalinos, que criam uma intimidade emocional» e orientam a visita, facilitando a interpretação do "recheio" dos armários onde se sucede a exposição dos milhares de minerais.
Renovação feita de uma forma gradual, que incluiu, também, os painéis informativos que acompanham as peças em exposição. Um projeto de modernização que representou, de acordo com Paulo Trincão, um investimento a rondar os 150 mil euros, que contou com o apoio da Rede Portuguesa de Museus (40 mil euros) e da Reitoria da Universidade de Coimbra (100 mil euros). «Tem que durar pelo menos mais 200 anos», garantiu o diretor do Museu da Ciência, que das peças em exposição destaca, pela simbologia, a Andradite, mineral assim batizado em homenagem ao mineralogista brasileiro que dá o nome à galeria
«Estas galerias foram a nossa escola», explicou Paulo Trincão ao ministro da Justiça e Segurança do Brasil, Ricardo Lewandowski, que, ávido de saber, percorreu a imensa galeria e ainda fez uma rápida incursão no Gabinete de Curiosidades, onde o diretor do Museu chamou a atenção para um exemplar de manatim pendurado no teto, distanciado de um imponente crocodilo, que terá sido um dos primreiros exemplares conhecidos desta espécie de pequenas baleias, que deu origem «ao mito das sereias».
Antes, na breve cerimónia na antecedeu a visita, o governante brasileiro destacou o legado importante de José Bonifácio d’ Andrade e Silva, conhecido como «o patricarca da independência do Brasil», uma independência que «manteve a unidade» do país como um todo, contrariamente ao que aconteceu com os países vizinhos, de origem hispânica. O ministro destacou, ainda, o empenho do aluno e professor da Universidade de Coimbra na luta ativa contra a escravatura, por um lado, e defesa dos povos indígenas, por outro, promovendo uma «cultura de miscigenação entre os povos», bem como o seu estatuto pioneiro na defesa do ambiente, lutando conta a devastação da floresta e a poluição dos rios e criação de parquess nacionais.
Portugal e Brasil têm “alma comum”
Num dia particularmente quente, os quase 40º que se faziam sentir «não são nada, quando comparados com o calor que une as duas comunidades, portuguesa e brasileira», afirmou o vice-reitor, responsável pela Cultura, que enalteceu o trabalho notável do ministro brasileiro da Justiça como «defensor da Universidade de Coimbra junto da lusofonia». Delfim Leão rematava o elogio feito pouco antes por João Nuno Calvão da Silva, vice-reitor responsável pelas Relações Externas, que apresentou Ricardo Lewandowski como um grande amigo, a quem Portugal e o Brasil tanto devem». «Esta é e será sempre a sua casa», disse, classificando o governante brasileiro como um «filho adotivo da Universidade de Coimbra».
Delfim Leão fez saber que atualmente são cerca de 120 as nacionalidades que se cruzam na Universidade de Coimbra, mas a «comunidade brasileira distingue-se pelo seu impacto e pela forma como ganha concursos e ocupa posições de relevo no tecido económico e académico de Portugal». Um dado que, no entender do vice-reitor, «é a expressão de que somos países irmãos», com «uma alma comum».









