
Medronho muda paisagens para ajudar a economia e incentivar o turismo
O produto existe, só precisa de ser redescoberto e é isso que a região procura fazer. Pampilhosa da Serra, como exemplo, tem vindo a transformar a sua paisagem em medronhais para daí retirar proveito económico, ao mesmo tempo que se junta a outros municípios na Rota do Medronho da Região de Coimbra, que está a dar os primeiro passos e pretende, a partir do fruto, criar produto estruturado a nível turístico. E esta manhã, na Pampilhosa da Serra, mostrou-se o trabalho feito e o que está pela frente, quer ao nível dos campos experimentais de medronho, que têm vindo a ser testados por forma a melhorar o desempenho da planta, quer na dinamização da rota que dá os primeiros passos e pretende envolver nove municípios da região: Arganil, Góis, Lousã, Mealhada, Mortágua, Oliveira do Hospital, Tábua, Pampilhosa da Serra e Penacova.
«O medronho é uma mais valia, não estamos a inventar nada, estamos a reorganizar o território», defendeu Jorge Custódio, presidente da Câmara de Pampilhosa da Serra, durante a visita ao campo experimental do medronho, onde Filomena Gomes, docente e investigadora da Escola Superior Agrária de Coimbra, explicou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no sentido de melhorar o desempenho da planta.
Um projeto que, de acordo com Jorge Brito, secretário executivo da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC) «testa novas metodologias e novas abordagens» da planta com o objetivo de «criar uma maior resiliência e uma maior produção». E na verdade, mais produção significa «mais valor» e «mais emprego». E a isto soma-se, não menos importante, a «resiliência do território» aos incêndios florestais.
Resiliência é, de resto, palavra do dia a dia do empresário José Martins, proprietário da Lenda da Beira, uma empresa que fundou em 2011 mas que começou a sonhar «desde 2004». «Temos as nossas plantas, o fruto é aqui transformado e aqui embalado, temos a cadeia toda», explicou, já durante a visita à empresa que começou com a aguardente de medronho - o produto mais emblemático - mas se estendeu por outros derivados. «Há muitas mais coisas que devem ser feitas e podem ser feitas pelo medronho», assegurou o empresário por quem o presidente da Câmara da Pampilhosa tem grande estima, não apenas pelo dinamismo empresarial, mas «pelo incentivo que vai muito além destas paredes [da fábrica]». «Conseguiu incentivar muitos outros a olhar para esta fileira», afirmou Jorge Custódio, satisfeito por ver hoje, como nunca viu, «pessoas a tirarem férias para a apanha do medronho». «O medronheiro tem de ser uma aposta clara desta região Centro», defendeu o autarca, convicto que o medronho da região «é o melhor de Portugal», só precisa agora de ter «uma nova roupagem».
A CIM-RC, em articulação com os municípios e os empresários, procura dar seguimento a essa «roupagem», através da estruturação da rota que, segundo Jorge Brito, «é mais um contributo para a dinamização do território». «O medronho é um tesouro resiliente no coração de Portugal», defendeu.
A implementação da Rota do Medronho está assente em quatro patamares: Mapeamento e Identificação de recursos; Desenvolvimento de experiências; Promoção e Marketing, e Sustentabilidade e Qualidade (apoio a produtores, monitorização e avaliação dos impactos).
A Rota estende-se ao longo de 260 quilómetros pelos nove municípios envolvidos e estima-se que o período ideal para a percorrer e desfrutar das várias experiências é de 4 dias e 3 noites.










