
Rua de Santa Sophia aberta para acolher instituições de saber
A Rua da Sofia é uma das principais ruas da cidade de Coimbra.
460 metros de comprimento e 13 de largura projetados na primeira metade do século XVI.
Quem por ela passeia, como bom observador, pode imaginar a importância que já teve e a que durante largos anos do século XX assumiu quando, por ocasião das festas da Rainha Santa Isabel, acolhia a padroeira até ao seu regresso a Santa Clara.
Mas no dia-a-dia, os sete imponentes colégios da Rua da Sofia passam quase despercebidos.
Ontem, por ocasião da celebração dos 12 anos sobre a classificação do Bem “Universidade de Coimbra, Alta e Sofia” como Património Mundial da UNESCO, realizou-se uma visita guiada aos colégios da Rua da Sofia, no âmbito do evento cultural SONS DA CIDADE, promovido anualmente pela Associação RUAS (Recriar a Universidade, Alta e Sofia).
E numa breve visita que ocupou a manhã, um grupo de cidadãos de Coimbra teve oportunidade de «ver» o que se esconde por detrás das largas paredes do lado nascente da rua.
Integrava a «comitiva», um grupo de três amigas, a mais velha com 96 anos, Maria do Céu que, juntamente com Cândida Rente e Maria João, não se fez rogada em conhecer um pouco mais de uma rua que palmilhou «vezes sem conta, pois durante 40 anos», foi professora no Colégio São José e, «todos os dias, descia da Conchada à Rua da Sofia pela ladeira do Carmo», como a própria confessou.

A visita começou em frente à Câmara, onde Cecília Mendes, do Departamento de Museologia da Câmara Municipal de Coimbra, fez uma contextualização do momento em que a Rua da Sofia foi idealizada, numa época em que o rei D. João III quis «conferir uma qualidade superior aos espaços educativos».
É em 1537 que surge pela primeira vez a designação Rua de Santa Sophia, que significaria Sagrada Sabedoria, o que faz deduzir da intenção de ali «instalar instituições religiosas de ensino e do saber».
Da Rua da Sofia, o que se vê de tão nobres colégios, propriamente dito, são as escadarias que dão acesso às igrejas de cada um dos Colégios, sendo de ressalvar que alguns deles mantêm as igrejas abertas (Igreja do Carmo e Igreja da Graça), sempre a uma cota mais alta relativamente à rua e sempre do lado nascente, já que «a rua foi construída no sopé das colinas da Conchada e de Montarroio», com «as construções colegiais a nascente, casas urbanas a poente e portas nos extremos».
Primeira paragem, no que resta do Colégio de S. Bernardo, onde hoje funcionam outros serviços, nomeadamente um infantário, depois o Colégio do Carmo, com a sua igreja, onde se celebra a eucaristia, e onde hoje está instalada a Ordem Terceira de S. Francisco.
Entre uma e outra curiosidade, destaque para o claustro interior, com uma estátua de S. Francisco ou, na sacristia, um conjunto escultórico policromático “Deposição de Cristo no Túmulo», também atribuído a João de Ruão, tal como a obra que se encontra no Museu Nacional Machado de Castro.
O grupo ainda teve tempo de visitar o Colégio da Graça e a sua igreja, «aquele que ainda hoje se mantém mais fiel ao traçado original», como referiu Cecília Mendes.
Seguiu-se o Colégio de S. Pedro (Casa de Saúde da Sofia), e o Colégio de S. Tomás de Aquino (Palácio da Justiça) - este já construído a poente. Uma visita breve, mas que tem o condão de despertar a curiosidade para tão rico património.












