
“Lojas históricas de Coimbra” resgata memórias da Baixa da cidade
“Lojas históricas de Coimbra” é o título da obra apresentada ontem na Feira do Livro - decorre na Praça do Comércio - que resgata memórias da Baixa da cidade, levando ao conhecimento do leitor “estórias” de estabelecimentos comerciais, com um mínimo de 50 anos de atividade ininterrupta, e dos seus proprietários ou fundadores.
Das barbearias à restauração, passando pelo setor da ourivesaria, vestuário, flores e sapataria, entre muitos outros setores de atividade, o livro tem o objetivo simbólico de «suprir uma lacuna no registo escrito da memória coimbrã», como afirmou João Figueira, professor de jornalismo e jornalista que teve como missão a coordenação geral da obra produzida por Ana Filipa Fonte e Sara Reis.
Paralelamente, e como projeto editorial, deseja «contribuir para o reforço da autoestima do comércio tradicional e de bairro, através da celebração pública dos seus exemplos mais significativos de persistência, resiliência» e, por isso mesmo, com «maior densidade histórico-temporal».
Coimbra possui diversas lojas históricas que são testemunhas do tempo e da cultura da cidade. Entre elas, destacam-se, por exemplo, a Loja das Meias, fundada em 1931, e outras lojas que marcaram a Baixa de Coimbra, como Tito Cunha, Modas Veiga, e Infinito. Mas uma das mais icónicas é a Farmácia Nazareth, situada na Rua Visconde da Luz – agora transformada em alojamento local.
Com uma história de mais de um século, esta farmácia mantém a sua fachada e interior praticamente inalterados, evocando uma época em que a saúde e o bem-estar eram atendidas de maneira personalizada e artesanal. Mas as livrarias também desempenham um papel importante na história comercial de Coimbra.
“Dar voz aos comerciantes”
As duas autoras sublinharam que a «amizade» entre as duas, que floresceu nos bancos da Universidade de Coimbra, quando se licenciaram em jornalismo, esteve na génese da idealização da obra “Lojas históricas de Coimbra”.
Ana Filipa Fonte e Sara Reis têm toda uma vivência na Baixa de Coimbra, uma vez que possuem familiares que tiveram espaços comerciais no “coração” da cidade.
«Quisemos dar voz a muitas histórias de vida dos comerciantes locais e para isso procurámos o lado humano das pessoas», explicaram, acrescentando que quem «adquirir o livro vai rever-se nalguma história» que estão escritas nas suas páginas.
No fundo, revelam, «é uma obra muito humana» que procura trazer para o domínio público um lado importante da história de Coimbra, que em certo sentido estava por fazer e contar: o das suas lojas mais antigas e ainda em atividade e cujo pulsar e memórias são parte integrante do património imaterial da cidade.
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