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As obras de «A Fábrica das Sombras»

Até 6 de julho, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, pode visitar a exposição «A Fábrica das Sombras», apresentada no âmbito do Anozero’25 Solo Show. A mostra propõe um percurso imersivo pelo universo sensorial de Janet Cardiff & George Bures Miller, dois dos mais influentes artistas contemporâneos no campo da arte sonora e multimédia.

Reconhecidos internacionalmente pelas suas instalações site-specific e pelas experiências áudio e vídeo que criam, os artistas — que vivem e trabalham no Canadá — apresentam 13 obras que ocupam e transformam o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, desafiando a perceção do espaço e ativando novas camadas de escuta e interpretação.

A exposição pode ser visitada de quarta a domingo, das 11h00 às 19h00, com entrada livre.

 

No dia 21 de junho, com a Festa do Solstício, damos as boas-vindas ao verão entre arte, bem-estar e partilha: a exposição estará excecionalmente aberta até às 21:00 (última entrada às 20:30), acompanhada por um conjunto de atividades — lançamento do catálogo, mercado, brunch, sessões de yoga, oficina para crianças e um passeio botânico, além dos encontros do programa educativo do Anozero’25 Solo Show. Mais informações em tinyurl.com/FestadoSolsticio

 

Semanalmente, destacamos uma das obras que compõem «A Fábrica das Sombras» — num convite contínuo à descoberta desta exposição única.

The Instrument of Troubled Dreams, 2018

Janet Cardiff & George Bures Miller
Instalação sonora interativa com áudio ambisónico, mellotron e computador.
Um barco é atingido por uma tempestade; um violoncelo toca dois acordes; uma troca de tiros faz-se sentir. À medida que os sons invadem a sala, espaço e tempo confundem-se por força das memórias e dos referenciais retidos nos sons, e acentuados pela presença imponente do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. Na altiva sala de guerra, os espectadores são convidados a tocar na réplica de um mellotron, originalmente da década de 1960. Cada uma das 72 teclas foi programada para reproduzir uma de três categorias áudio: um efeito sonoro, uma faixa vocal ou um excerto musical — podendo assim cada espectador compor a sua própria intervenção sonora, a qual será reproduzida por vinte e duas colunas de som. Tocadas em sequência premeditada ou aleatória, cada tecla é material em cru e um potencial infinito para a criação de uma banda sonora cinematográfica para um filme invisível. Ainda que intangível, o mundo do cinema está visivelmente presente, construindo-se um espaço audível no qual se entra como uma escultura sonora. Como os sons acusmáticos do Mosteiro não fornecem imagens, ativamos automaticamente a nossa memória visual para preencher o espaço e o momento.

 

Combinando narrativas, com sons ambientais quotidianos ou música emocionalmente densa, The Instrument of Troubled Dreams evoca uma experiência de matizes infinitos, do onirismo à distopia; corolário de uma vida de recordações e referências, factos e quimeras, dos quais nos fomos construindo, desmantelando e afinando os sentidos.

Mafalda Ruão

 

Desde a sua fundação em 2015, o Anozero — Bienal de Coimbra tem afirmado um modelo único de colaboração entre o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra, trazendo à cidade exposições e artistas que desafiam as formas tradicionais de pensar, fazer e experienciar arte.

 

Junho 20, 2025 . 08:47

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