
Sabores, cultura e música da lusofonia para conhecer no Terreiro da Erva
O Terreiro da Erva é até amanhã o epicentro de um festival que pretende promover a criação de laços entre as comunidades que partilham a língua portuguesa. As comunidades lusófonas voltam a unir forças para preparar um conjunto de pratos típicos e tradicionais que fazem “viajar” até Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Timor-Leste, Angola, Moçambique, Brasil e até São Tomé e Príncipe através dos sabores de cada cultura.
Esta que é a sexta edição do festival - numa organização da União das Freguesias de Coimbra - conta com a presença de 13 barraquinhas e uma programação musical dos vários países. «Trata-se de uma programação transversal, inclusiva e para todas as idades», adiantou Rui Amaro, programador do evento, em conversa com o Diário de Coimbra.
Pela hora de almoço, dezenas de pessoas já provavam a cachupa de Cabo-Verde, a couve com amendoim e coco de Moçambique, os pastéis do Brasil ou o caril de Timor-Leste, a estes pratos típicos juntaram-se as sobremesas e as bebidas mais típicas de cada país.

Orlanda Matsule veio de Moçambique há 20 anos e há 15 que vive em Coimbra. «Como moçambicana tenho jeito para fazer estes pratos», confessou a responsável pelo caril, pela couve com amendoim e coco, só ficou mesmo a faltar matapa, o prato típico de Moçambique. «Já vieram perguntar se tinhamos, mas não arranjei a folha de mandioca...», lamentou Orlanda.
«Aqui sinto-me moçambicana e portuguesa ao mesmo tempo. O que se quer é que haja empatia, saber estar e ser, respeito pelo outro e saber estar em comunidade», defendeu.

Da barraquinha de Cabo-Verde continuavam a sair pratos de cachupa confecionados pelas mãos de Linoca Andrade, residente em Coimbra há cerca de 20 anos.
«É o prato mais tradicional e é o que as pessoas mais procuram, cabo-verdianos e não só», explicou a responsável.
Para hoje prometem levar até ao Terreiro da Erva mais um prato típico: feijão congo. «Fica muito bom e as pessoas adoram», disse. A comunidade cabo-verdiana é grande em Coimbra e Linoca assegura que têm sido «muito bem acolhidos por todos».

«Em Coimbra, felizmente, temos uma autarquia, ao nível municipal e ao nível das freguesias, que tem um conhecimento profundo sobre o seu território e, por isso, sabem a importância de cultivar as relações com as diferentes comunidades», realçou Rui Amado.
Amanhã haverá música, pratos tradicionais e até um desfile de moda. Para além disso, a literatura lusófona não fica de fora e haverá apresentações de livros de vários autores angolanos, moçambicanos, brasileiros e cabo-verdianos.











