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"Esta subida é muito especial pelo enormíssimo trabalho que estes jogadores fizeram"

José Abrantes | Experiente treinador conduziu a Académica de novo à Proliga de basquetebol e fala de um “sentimento de dever cumprido”. Elogia o trabalho dos jovens atletas e explica as dificuldades sentidas na 1.ª Divisão. Continuidade não está garantida, mas há conversas nesse sentido

Diário de Coimbra | A que sabe esta subida? É especial?
José Abrantes Todas as subi­das sabem bem. Esta não é primeira subida que eu faço, vou na sétima ou oitava subida de divisão. Esta subida é muito especial pelo enormíssimo trabalho que estes jogadores fize­ram. Eu nunca me canso de fa­lar nos jogadores, porque nestas fases, muitas vezes, há uma incidência muito grande sobre o seu treinador e os joga­dores ficam muitas vezes ficam esquecidos. Esta é uma vitória, acima de tudo, deles. É uma equipa composta por 80% de estudantes. Os jogadores nem sempre estiveram de acordo comigo, nem sempre ficaram satisfeitos com a não utilização, porque são jogadores muito jovens, mas tiveram sempre uma capacidade enormíssima de trabalho, de resiliência, da defesa da equipa e de grande de dedicação e esse é o grande segredo.
Esta é uma vitória com um sabor mais especial do que as ou­tras. Deixe-me recordar, em 1997 o Vilafranquen­se chamou-me e tinha um projeto de subida a três anos e felizmente também subimos no primeiro ano, mas era uma equipa formada de homens, era uma equipa de jogadores de basquetebol. Esta é uma equipa de jovens jogadores que se estão a formar e daí o sabor especial. Um sabor especial também por todo o apoio que a Direção me tem dado. Os dirigentes têm sido incansáveis.

Não eram favoritos...
Desde cedo os meus colegas treinadores diziam que nós éramos a equipa que íamos subir e eu nunca acreditei nisso. Iam-me dando esse feedback, mas eu só a partir do jogo com o Guifões é que comecei a acreditar que eventualmente se podia ter alguma surpresa em relação à subida de divisão. Fomos ganhar ao Club 5 Basket, por sete pontos e aqui ganhámos por 20 pontos e a coisa deu-se. E depois jogámos em Olhão, com uma equipa quatro vezes mais cara que a nossa, com 650 pessoas no pavilhão e em casa deles e nós sem apoio nenhum. E só não ganhámos o jogo, como o meu próprio colega me disse, porque houve ali “infantilidade”, houve juventude a pesar e perdemos o jogo por quatro pontos. Ao intervalo estávamos a ganhar, estivemos a ganhar a segunda parte por seis ou sete pontos e com uma equipa experiente dificilmente terí­amos perdido aquele jogo. No fim, dei os parabéns ao Olhanense pela estratégia montada desde o início. Perceberam que tinham uma equipa para subir divisão e logo desde início arran­jaram o espaço para a final que fosse disputada no seu pavilhão. Portanto, das minhas subidas de divisão foi talvez a mais difícil e a mais saborosa.

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Junho 5, 2025 . 08:15

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