
Cruz Vermelha “aposta forte” no apoio social
A abertura de uma loja social na extensão da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) de Borda do Campo deverá acontecer até ao final da próxima semana. A informação foi avançada por Francisco Leitão, presidente da delegação da Figueira da Foz da CVP, em declarações ao Diário de Coimbra. “Já está tudo preparado. Já lá tem inclusivamente roupas. Temos só que organizar algumas coisas”, explicou o responsável, garantindo que querem lá marcar presença. “Nós não queremos abandonar a Borda do Campo. É uma zona importante, porque é onde há muita emigração, há uma série de problemas sociais e onde foi desativada uma unidade de saúde, pelo que, a nossa presença é importante”, sublinhou.
Apesar de considerar que o Conselho de Moradores de Borda do Campo é muito ativo, Francisco Leitão afirmou que fazem falta outros serviços na localidade e, por isso, manifestou vontade da CVP trabalhar em conjunto com a associação para se complementarem. “A primeira ideia da loja social é dizer nós estamos lá, a casa não foi abandonada, nem nós abandonamos a população”, referiu o responsável. E acrescentou: “a ideia é abrirmos e criarmos mais voluntários na zona para conseguirmos aumentar os serviços”.
Este é apenas um dos muitos projetos que vem assumir o compromisso da Cruz Vermelha com a área social. “É uma aposta forte que queremos fazer e nem todas as delegações têm esta área”, evidenciou Francisco Leitão. Para além de prestar serviço na área de socorro e de transporte de utentes - tendo aumentado recentemente a seção de náutica associada à emergência -, refira-se que a delegação da CVP na cidade tem, neste momento, uma casa de apoio a vítimas de violência doméstica, uma casa de acolhimento para refugiados, refeitório social, centro comunitário, lavandaria e balneário sociais, loja social e serviço de doação de roupas, bem como serviço de cabeleireiro (numa parceria com o INTEP).
Mariana Leitão e Francisco Leitão apresentaram os projetos que a delegação da Cruz Vermelha tem em desenvolvimento no concelho
Pronto para abrir portas está também o centro de convívio, contudo, aguarda por aprovação. “A licença de utilização que foi dada a esta casa na altura era genérica. Agora, para ter qualquer serviço de apoio social temos que ter um alvará específico. Já temos a sala preparada. Só que está ali com a porta fechada à espera”, lamentou o presidente, comentando que a demora já se prolonga há ano e meio devido a burocracias. “Alteraram a lei e querem que a arquitetura se adapte aos tempos de agora. Só que esta casa é toda feita em betão. Foi construída para, quando houver um terramoto, não cair e servir também de abrigo, de maneira que é muito difícil mexer nela”, justificou.
“É como o Serviço de Apoio Domiciliário. Também estamos à espera que nos deem um alvará para podermos avançar com o serviço”, referiu o presidente, mostrando o seu descontentamento. “Vontade há. O problema não é a vontade, são os meios para conseguirmos realizar estas coisas”, salientou Francisco Leitão, considerando que a delegação da CVP na cidade é o “parente pobre” do ponto de vista de doações a nível de entidades. “Eu com a minha equipa estamos há três anos e meio numa direção e posso dizer que houve entidades que são importantes na Figueira e que nos deram um zero bem redondo”, criticou.
“A Cruz Vermelha tem um nome e é uma entidade que as pessoas reconhecem. Nós estamos ao serviço da população, tal como outras entidades estão, e penso que não ficava mal nós sermos agraciados também com algum donativo anual, algo que não fosse só o pagamento de serviços que nós fazemos, que é diferente. Uma coisa é pagar um serviço que é feito, outra é fazer uma doação para que se possa fazer algum investimento”, esclareceu Francisco Leitão.










