
Banco Alimentar reforça apelo à solidariedade de Coimbra
“O seu gesto tem um nome, o nome de quem vai poder jantar hoje”. Este é um dos slogans da campanha do Banco Alimentar Contra a Fome que este fim de semana vai decorrer em todo o país. No distrio são 79 as superfícies comerciais que integram a campanha, tutelada pelo Banco Alimentar de Coimbra, que abarcam todo o território, desde Oliveira do Hospital à Figueira da Foz.
No ano passado, de acordo com o responsável do Banco Alimentar de Coimbra, foram recolhidas, nesta campanha de Maio, «cerca de 70 toneladas de alimentos». João Paulo Craveiro não define objetivos. «Agradecemos à população todo o que nos possa oferecer», afirma. E a moldura é grande, centrada em bens alimentares não perecíveis. Os sacos, entregues pelos voluntários à entrada dos supermercados, são elucidativos, mas pode já ficar com uma ideia do que são os bens de primeira necessidade: leite, azeite, açúcar, massas, cereais, grão e feijão.
Alimentos que se destinam a apoiar quem mais precisa. «Em 2024 apoiámos10.300 pessoas», diz, com as maiores necessidades a residirem nas «zonas urbanas», envolvendo bastantes famílias de migrantes que também se veem confrontadas com problemas de habitação e «dificuldade em arranjar trabalho».
Um número que, segundo João Paulo Craveiro, se mantém relativamente estacionário nos últimos anos, com novas pessoas a “entrarem” na rede, mas outras a saírem, mas mantendo este universo de pouco mais de 10 mil pessoas. Nada que se compare com os dois/três anos após a pandemia, altura em que se registou «um aumento drástico» de pedidos de apoio mensal. Aliás, o responsável pelo Banco de Coimbra recorda que, nessa altura, foi criada a Rede de Emergência Alimentar e os Bancos Alimentares – 21 em todo o país – foram «apoiados pela banca». «Foram milhões de euros para a compra de alimentos» que posteriormente foram distribuídos.
As campanhas, como a que agora vai decorrer, secundada por outra, habitualmente em finais de novembro, não são as as únias “fontes de abastecimento” do Banco Alimentar. «Em 2024 angariámos um total de 302 toneladas de alimentos, no valor de 350 mil euros». Significa que, além desta recolha direta, há outros “caminhos”. João Paulo Craveiro refere a campanha “Papel por Alimentos”, que consiste na recolha de papel, que é vendido para reciclagem e representou, no ano passado, 167 toneladas de papel recolhido, que foi vendido por 14 mil euros e permitiu adquirir16 toneladas de alimentos. O valor remanescente vem, sobretudo de «empresas do ramo alimentar que nos oferecem produtos durante todo o ano», explica ainda.
Este fim de semana o Banco Alimentar de Coimbra conta, mais uma vez, «com o apoio e solidariedade já habitual do distrito e da população de Coimbra», diz João Paulo Craveiro, que lembra que o Banco Alimentar é certificado como marca de qualidade e de confiança. «Confiança é a palavra que melhor nos define, pois fazemos tudo para que os alimentos que recebemos cheguem a quem efetivamente precisa», assegura.
Voluntários são um elo essencial
Os voluntários - mais de dois mil, nas diferentes “frentes” -asseguram, nos 79 supermercados do distrito, a recolha de alimentos, através de equipas que são substituídas de duas em duas horas e que têm nos Escuteiros um apoio essencial.
«Estamos com alguma dificuldade relativamente a domingo», confessa João Paulo Craveiros, facto que se prende com as comemorações do Dia da Criança. Todavia, já está garantido o apoio de «algumas instituições», designadamente colégios, escolas, a Academia da Académica e, claro, os Escuteiros.
São também constituídas por voluntários as equipas que procedem ao transpores, em carrinhas, dos alimentos recolhidos para a sede do Banco Alimentar. Ali, explica o responsável, os alimentos são pesados “por supermercado” e por concelho, numa triagem completa, que só fica concluída com a separação de todos os produtos recolhidos em função da tipologia e respetiva catalogação e armazenamento, essenciais para organizar o sistema de distribuição, que vai funcionar nos próximos seis meses.










