Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Aecoimbra 20260528
Pub Dc Rfm Somnii 20260527
Legua Dc
Pub

Queijo Rabaçal reinou em terras de Templários

Soure acolheu a 35.ª edição da Exposicó – Feira do Queijo Rabaçal. O presidente da Câmara, Mário Jorge Nunes, em final de mandato, pediu aos “vindouros” para darem continuidade ao certame

«É todo bom, sou eu que o faço!» Leonilde Sá Nunes responde a um cliente, antes mesmo da abertura oficial da 35.ª edição da Exposicó – Feira do Queijo Rabaçal. E é de Queijo Rabaçal, produzido nas Degracias, que falamos. Na versão curado ou fresco. Leonilde acabava de se estrear, ontem, segundo dia do certame, com a venda de três queijos curados e um fresco. «Venho sempre ao mercado e já tenho clientes certos», afirma a produtora artesanal, com 80 anos e uma longa experiência na produção de Queijo Rabaçal.

Um produto endógeno de referência, que confere «uma identidade própria» à região e funciona como «elemento agregador do território» afirmou o presidente da Câmara Municipal de Soure. Para Mário Jorge Nunes, mais importante que a «dimensão económica» - pois serão pouco mais de meia dúzia os produtores com dimensão efetiva nos seis concelhos da região das Terras de Sicó - o Queijo Rabaçal «é importante pela dimensão agregadora e pela identidade que dá ao território» e também pela indiscutível capacidade que tem de «atrair visitantes ao território».

O grande desafio, sublinha, é «manter» este produto que, à semelhança de outros, como o Queijo Serra da Estrela ou o da Beira Baixa (este último recentemente classificado como “o melhor queijo do mundo”) se bem que estes com «maior área a mais dimensão», que se debatem com os problemas transversais ao mundo rural. Daí a importância dos programas alocados à fileira do queijo, nos anteriores e no próximo quadro comunitário de apoio, disse, pedindo uma atenção especial a Vasco Estrela, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), responsável pela área da Agricultura e do Mundo Rural.

«O Queijo Rabaçal é a nossa marca!», garantiu o autarca, que ontem presidiu, pela última vez emquant0 autarca de Soure, à abertura oficial da Exposicó e deixou um pedido «aos vindouros» na liderança do Município de Soure e da Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento, no sentido «continuarem a apostar no Queijo Rabaçal» e na realização do certame.

Um certame onde, sendo o queijo o “rei," o produto central , destaca outros produtos, igualmente endógenos e também eles referências no território. Mário Jorge Nunes referiu-se em particular aos Vinhos Terras de Sicó, subregião onde se «produzem vinhos muito bons» e, pese embora não tenha a dimensão económica das regiões do Douro,, Dão ou Alentejo, é «uma fileira que tem vindo a progredir», ancorada «grande vontade» dos produtores, na aposta na investigação e na inovação e nos bons enólogos.

O mel e o azeite, «com os altos e baixos» e os constrangimentos decorrentes das condições climatéricas ou dos incêndios, constituem, outra referência na região, particularmente o olival que «tem vindo a ganhar força económica», com talvez menos produtores, mas mais área., «lagares modernos» e «elevado nível tecnológico», disse ainda o autarca de Soure, numa apresentação da 35.ª Exposicó, onde fez questão de deixar uma palavra especial de agradecimento à Confraria do Queijo Rabaçal, a David Leandro, o inquestionável rosto da Terras de Sicó, e a toda a equipa do município que se empenhou na organização do certame, que começou sábado e terminou ontem.

António Domingos, edil de Ansião e vice-presidente da Terras de Sicó, falou nos desafios de futuro para o território, designadamente a criação do »Laboratório Sicó, um espaço colaborativo, que congregue o que temos de melhor», bem como a classificação do cabrito e borrego e dos muros de pedra seca, «património que define a identidade do território» ou o projeto para as Aldeias de Calcário, «importante para a fixação de pessoas e para a recuperação do património.

Ameaças e constrangimentos exigem

Vasco Estrela, vice-presidente da CCRDC, recém empossado no cargo, não tem dúvidas que o «Queijo Rabaçal é uma marca amplamente reconhecida» e constitui «uma mais valia para todo o território», que soube potenciar este «valioso recurso». Assumiu, todavia, que existe um conjunto de «constrangimentos, dificuldades e ameaças» a este produto, à semelhança do que acontece com outros. Referiu, a propósito, as “queixas” do autarca de Poiares relativamente aos setor da caprinicultura, que se replicam em Fornos de Algodres ou Celorico da Beira, onde «cada vez há menos pastores, há menos rebanhos», neste caso de ovelhas. Trata-se de uma atividade económica que «não é valorizada», o que representa «um problema». «Não podemos fazer de conta que o problema não existir», exortou Vasco Estrela, que assume a necessidade de procurar e encontrar respostas, designadamente por parte da CCDRC, para que «no prazo de uma ou duas décadas» estes produtos continuem a existir. «Será uma pena que produtos com grande valor, preservados durante décadas, acabem», disse, advogando a «obrigação» do Governo «tratar de forma diferente o que é diferente». Em paralelo, desafia as associações de desenvolvimento, municípios e CCDR a uma ampla «reflexão», visando «encontrar soluções» que «se impõem» para «um problema que está em cima da mesa».

PROVERE para caminhos de Fátima

Num certame dedicado ao Queijo Rabaçal e a outros produtos endógenos, Rui Ventura, presidente da Turismo do Centro, lembrou que «cuidar destes produtos é cuidar do futuro do turismo» e lembrou a necessidade de «criar âncoras capazes de levar esse produtos para outros territórios». A gastronomia, garantiu, é a força motriz do turismo a nível mundial e a região tem um potencial único, que faz a diferença. «Podemos provar um vinho do outro lado do mundo e esse vinho abrir o apetite para conhecer o território onde foi produzido e a nossa cultura», exemplificou. A propósito, referiu o empenho da entidade a que preside em «trabalhar com as CIM» nesta área, através do programa “Sabores ao Centro”.

Rui Ventura deixou, ainda, um desafio à CCDRC, no sentido da criação do PROVER Caminhos de Fátima. Uma resposta que se impõe em nome da segurança, para que «os peregrinos não corram os riscos de correm atualmente». «Temos milhares e milhares de pessoas que fazem estes percursos e fazem com que muitos outros venham. Temos que ter programas de apoio para que os nossos caminhos de Fátima tenham sucesso», disse ainda. O responsável do Turismo do Centro reconheceu que há «municípios com trabalho feito» na definição de percursos e rotas seguras, «mas não há ligação com todo o território», o que considera urgente e necessário, visando defender, promover e afirmar o turismo religioso de Fátima.

 

Maio 25, 2025 . 17:49

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right