Sete dias por semana
1 Aliança Democrática. Luís Montenegro reforçou a sua votação nas eleições do passado domingo, face ao seu resultado de 2024, e tem agora a obrigação de fazer as pontes necessárias para reformar um país que se vem afundando na cauda da Europa. Terá de o fazer sem maioria absoluta e num parlamento sem o bipartidarismo que terminou ao fim de 50 anos de democracia mas isso nunca poderá ser desculpa para não fazer as reformas necessárias.
2 Partido Socialista. Se a descida de Bloco de Esquerda e PCP (juntos têm hoje quatro deputados entre os 230) era algo já expectável, o resultado do Partido Socialista foi uma das grandes surpresas da noite eleitoral: menos 19 deputados e menos cerca de 360 mil votos, muitos deles que terão seguido direitinhos para o Chega. Pedro Nuno Santos não estava, efetivamente, preparado para assumir a liderança do até agora maior partido da oposição e a sua agressividade e arrogância deixaram o PS “ligado às máquinas”. Resta ver que repercussões terá esta situação nas autárquicas de setembro.
3 Futebol. Foi um domingo animado mas sábado também foi um “dia de loucos”, futebolisticamente falando, que terminou com o Sporting a conquistar o bi campeonato, algo que não conseguia há cerca de 70 anos. O Benfica nem o seu jogo conseguiu vencer, pelo que ou muito me engano ou Bruno Lage e Rui Costa jogam amanhã, na final da Taça de Portugal, muito do seu futuro no emblema encarnado. Boavista e Farense regressam à Liga II sendo que aos algarvios, liderados por Tozé Marreco, um empate caseiro teria bastado para ainda lutar pela manutenção.
4 Queima das Fitas. Por cá, com ordem e solenidade, o Largo da Sé Velha esteve repleto no arranque, esta semana, da Queima das Fitas, a maior e melhor festa académica do país. Depois da polémica do ano passado sobre a serenata monumental, estudantes e autoridades fizeram o que era preciso para manter a tradição. Seguem-se agora dias de grande folia até ao próximo sábado, sendo o ponto alto o cortejo de amanhã onde se espera que a veia satírica dos estudantes, tal como sucedeu nos últimos anos, se sobreponha aos desnecessários banhos de cerveja.
5 Gaza. Além fronteiras, só esta semana a União Europeia endureceu (e ainda vamos ver se com algum tipo de consequências) o discurso face ao genocídio cometido por Israel na faixa de Gaza, claramente amparado na proteção de Donald Trump. A pretexto de exterminar os terroristas do Hamas, Netanyahu está a cometer crimes contra a humanidade que não podem ser branqueados. Não deixar entrar ajuda humanitária é o mesmo que condenar à morte milhares de inocentes. A UE já admitiu rever o Acordo de Associação com Israel e esta semana já foram vários os altos dirigentes europeus a criticar os israelitas. Vamos ver se resulta.
6 Europa. Ainda no campo da diplomacia, foram precisos quase 10 anos (o Brexit foi aprovado em junho de 2016) para que União Europeia e Reino Unido chegassem a um entendimento para uma chamada parceria estratégica. Além de um pacto de segurança e defesa, foram vários os acordos alcançados esta semana para tentar corrigir o que foi um tremendo erro histórico impulsionado pelo populismo alimentado nas fake-news. O problema é que 10 anos depois, o mundo ainda aprendeu pouco nesta matéria e a desinformação continua a ganhar caminho.
7 Diário de Coimbra. A regra desta crónica é a de analisar o que se passou nos últimos sete dias, em Coimbra, em Portugal e no Mundo. Há dias, porém, em que as regras devem ser quebradas e hoje é um deles. O Diário de Coimbra celebra hoje 95 anos de existência, uma data demasiado importante para não a referir. A Imprensa livre e independente é imprescindível ao bom funcionamento da democracia. Hoje é assim um dia de festa com o regresso da Légua do Diário de Coimbra que terminará no Estádio Universitário, local onde estão todos convidados a acolher os participantes na prova e a cantar os parabéns ao nosso jornal. Apareçam!








