
Briosa com contas aprovadas
Contas aprovadas. A Direção da Académica apresentou ontem os relatórios de contas do Organismo Autónomo de Futebol (OAF) relativos à época 2022/ 2023 e da Sociedade Desportiva e Unipessoal por Quotas (SDUQ) de 2023/2024, numa Assembleia Geral (AG) que teve “casa cheia” no Estádio Cidade de Coimbra.
Quanto aos votos, o relatório de contas de 2023/2024 da SDUQ foi aprovado com 57 votos a favor, 83 abstenções e 2 votos contra No que diz respeito ao OAF, as contas da época desportiva de 2022/23 também foram aprovadas com 48 votos a favor, 86 abstenções e 2 votos contra.
Quanto às contas do OAF 2023/2024, ainda não estão disponíveis para serem apresentadas.
O período é pré-eleitoral, de resto, há já três candidatos que se apresentaram com o desejo de gerir os destinos da Briosa no triénio 2025/2028. Ontem, naturalmente, isso também pesou na adesão à AG até porque havia contas por apresentar e ainda a periclitante situação do OAF por esclarecer, uma vez que o processo de insolvência de 12 de junho de 2023 «ainda não transitou em julgado uma vez que um credor apresentou embargos à declaração de insolvência que aguardam ainda julgamento», como foi possível ler nos relatórios.
Rui Sá Frias, vice-presidente da Direção, apresentou as contas de um mandato no qual se apresentaram pela primeira vez resultados consolidados positivos que, de resto, permitem pagar o plano de recuperação. Esta Direção pagou neste mandato mais de 1,2 milhões de euros de dívida.
No que diz respeito ao OAF, os 562.864, 57 euros de resultado líquido negativo estão impactados com as imparidades do plano de insolvência da SDUQ (detida a 100% pelo OAF), cuja “dívida” ao clube foi “perdoada”. Neste particular, realçar que expugnando a imparidade da SDUQ, o resultado do OAF seria positivo em mais de 784 mil euros. Rui Sá Frias apresentou resultados líquidos consolidados positivos, no montante de 239.257 euros, o único resultado positivo em 10 anos. «Este resultado positivo, permitirá à Académica cumprir o plano de recuperação e as suas obrigações», frisou Rui Sá Frias.
O passivo do OAF, no fecho da temporada 2022/23 era de 4.582.959,53.
Quanto ao passivo geral da SDUQ é de 4.343.956,19 euros, sendo que o resultado líquido da época 2023/2024 foi negativo em cerca de 792 mil euros, sendo impactado pelas imparidades, custos associados ao processo de recuperação e investimentos em infraestruturas, o que expugnando estes efeitos, daria 385 mil euros.
Conselho Fiscal mostrou preocupação
Os sócios receberam, com o relatório de contas, um relatório do Conselho Fiscal a mostrar a sua preocupação pelo tardio acesso aos relatórios de contas (às 20h00 do dia 7) que impossibilitou uma reunião com a Direcção. «Da nossa análise denotámos com preocupação que apesar da restruturação económica resultante dos processos de insolvência não resulta cumprido, como desejável, o orçamento. Esta dificuldade decorre de vários anos, sendo, por isso, histórica e crónica», podia ler-se.
Agendadas para 1 de junho, o tema das eleições abriu a sessão, com Filipe Oliveira, vice-
-presidente da Mesa da AG que presidiu os trabalhos, a explicar a data escolhida que, considera, «não coincide com a época desportiva».
No período de intervenção dos sócios, o não cumprimentos das datas estipuladas nos estatutos e as contas negativas levantaram preocupações. Rui Sá Frias garantiu que a Académica é hoje cumpridora, tem contas em dia, embora reconheça que a gestão «não é um mar de rosas». «Ganhe quem ganhar a 1 de junho, vai encontrar uma Académica em muito melhor situação», frisou o “vice” da Direção.
Miguel Ribeiro não se recandidata
Miguel Ribeiro disse já aos candidatos que «quem vier tem de arranjar dinheiro para pagar os planos» e colocou-se à disposição dos candidatos para esclarecer a realidade do clube.
Na declaração final, o atual presidente da Direção assumiu que não se vai recandidatar. «Foi uma grande honra para mim ser presidente da AAC e servir a AAC. Vim para a AAC com 10 anos, tenho 55. Em 2022, quando aceitei liderar esta Direção quando ninguém apareceu para o fazer, fi-lo consciente que ia assumir num dos mais difíceis períodos da sua história. Infelizmente, não conseguimos cumprir os objetivos», referiu.
O dirigente destacou «o peso das insolvências que afetaram decisões estruturais» e reforçou: «Recuperámos a credibilidade e temos os pagamentos em dia. Temos o sabor amargo de não termos conseguido a subida à Liga 2. Não me recandidatarei, mas haver três candidaturas, algo que não acontecia há 50 anos, é sinal de que o trabalho deu frutos e saio com a consciência tranquila», rematou. Foi aplaudido.












