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“Este é um evento motor da união entre os povos”

Festival Internacional de Folclore é já um marco na cultura de Cantanhede e este ano prevê manter a adesão de cerca de 55 mil espetadores

Será a 18.ª edição do FOLK Cantanhede - Festival Internacional do Folclore 2025 - que apenas não celebra o 20.º aniversário por causa da pandemia.

A sua tradição nunca desapareceu, fazendo apenas uma “pausa obrigatória” nos dois anos mais “ativos” da Covid-19, em que apesar de não se ter realizado, planeou-se o seu regresso.

Com a ajuda do CIOFF (Conselho Internacional de Festivais Folclóricos e Artes Tradicionais) este projeto chega a (quase) todos os cantos do mundo. O festival de Cantanhede é um marco a nível nacional e internacional, sendo um dos 391 festivais que a CIOFF organiza, entre 110 países.

A edição deste ano, de 5 a 13 de julho, vai abraçar 10 países estrangeiros (Albânia, Argentina, Bulgária, Chéquia, Chile, Colômbia, Costa do Marfim, Costa Rica, Polónia e Ruanda) e, claro, a nação anfitriã, Portugal. No final de julho, o Grupo Folclórico e Cancioneiro de Cantanhede afirma poder orgulhar-se de já ter trabalhado, em 18 anos, com 131 grupos oriundos de 69 países distintos.

Dados revelados sobre a edição do ano passado indicam que passaram pelos diferentes dias um total de 55 mil espetadores que apreciaram 11 grupos diferentes, números que se esperam ver mantidos nesta edição.

«Os números do ano passado refletem o resultado da pandemia: as pessoas procuraram sair de casa e participar nos eventos. Foi uma tendência que se verificou em muitas das atividades», mencionou Paulo Marques, presidente da FOLK.

Este ano estarão abrangidos 11 concelhos diferentes, da zona Centro, visto que esta celebração da “cultura folclórica” se junta ao evento Culturas do Mundo no Centro de Portugal, que decorre em simultâneo.

Numa avaliação geral, durante todos os dias de programação, passaram 80 mil pessoas pelas festividades em todos os concelhos, números que, mais uma vez, Paulo Marques espera ver mantidos.

Cultura folclórica faz com que as tradições de cada nação se mantenham vivas e esta mostra é um exemplo

Uma semana de festa

Esta celebração da cultura vai acontecer entre os dias 5 e 13 de julho, sendo que o “Culturas do Mundo no Centro de Portugal” dura até dia 23 do mesmo mês.

Durante todos os dias será possível apreciar vários espetáculos, com destaque para o Festival Internacional de Marionetas que decorre nos dias 5, 6, 12 e 13 de julho, ou seja, nos fins de semana abrangidos. Também em destaque estará o Espaço Folk que promove a ligação com a comunidade e a aproximação dos povos.

Para promover a descentralização do evento, Ançã (dia 5), Febres (dia 6), Tocha (dia 11) e Cantanhede (dia 12) vão receber momentos específicos, porém mais concelhos serão abrangidos. Esta “descentralização” liga-se, ainda, a uma luta comum pela inclusão e pela solidariedade, com as mais de 30 comunidades estrangeiras que habitam em Cantanhede a serem contactadas para se «fazer algo extraordinário», segundo o presidente da Folk.

Esta edição traz um festival mais «inclusivo», uma “adição” que já fazia parte do «ADN da Folk de forma natural», mas que este ano irá ganhar mais relevo.

Para além da adição das comunidades estrangeiras alocadas em Cantanhede, a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental vai voltar a participar com grupos próprios, uma prova da missão de inclusão social e de continuo trabalho no desenvolvimento sustentável da sociedade.

Mensagens de motivação

Das várias entidades presentes no evento, é de importância destacar que todos consideraram o FOLK Cantanhede co­mo um «momento de extrema importância para a cultura» e que «destaca Portugal e a região no panorama mundial».

Sem estar presente fisicamente, mas sem deixar de assinalar o momento, Boaventura Rodrigues, presidente da CIOFF Portugal, deixou uma mensagem de apoio em vídeo. «Este é um dos eventos mais importantes a nível mundial que leva o folclore a várias comunidades e mostra-o a todos em Portugal», sublinha.

Daniel Café, presidente da Federação do Folclore Português, indicou que este é um «projeto congregador da sociedade» e que é «muito forte na descentralização», tendo ainda influência na «promoção da tolerância e da concórdia», valores necessários neste mun­do em mudança.

Já a falar em nome da Câmara Municipal de Cantanhede esteve a presidente, Helena Teodósio, que defendeu o «alcance enorme» que o folclore tem, tanto a nível «sócio-cultural» como a nível de «prestígio para a região e para todo o país». Nos vários aspetos que defendeu, a autarca sublinhou que o apoio da Câmara estará «sempre presente» e que o trabalho de «manter vivas as tradições e as culturas tradicionais» é de louvar.

Numa última intervenção, Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, relembrou a importância do folclore, também para o turismo, admitindo que, por vezes, «é difícil dizer que se gosta do folclore», mas que essa tendência está a ser desconstruída, por ser importante afirmar a cultura própria.|

Maio 9, 2025 . 12:03

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