
“Tumonautas” imortalizam a Rua Borges Carneiro através da lente
Os desafios são aceites pelos mais audazes, e sempre com o falhanço na mala. Porém, os “tumonautas” não sabem o que é falhar e entregaram uma compilação de fotografias e uma curta-metragem (de cerca de 11 minutos) que serve de testemunho da vida da Rua Borges Carneiro.
Uma construção que foi feita e refeita para encontrar o ângulo perfeito, que melhor descrevia “aquela parte” da rua. Cada canto, cada recanto, cada esquina, cada “loja”, tudo analisado ao maior pormenor e através ora de uma lente cinematográfica, ora de uma lente de imagem “fixa”.
«É difícil, numa imagem, dar a noção do som, mas conseguimos, através da nossa objetiva, mostrar o que se sente naquela rua», refere Paulo Calhau, diretor de fotografia do TUMO, que dirigiu os estudantes da instituição de formação de modo a que melhor entendessem - de forma singular e única a cada fotógrafo - o que de interessante se sentia naquela zona.
Paulo viveu na Alta de Coimbra, e este foi um «regresso a casa quase 30 anos depois», que lhe fez reviver memórias e sentir de maneira diferente aquilo que são as suas «memórias». «Conseguimos ver o interesse da comunidade, isso, para mim, é uma mais valia para o TUMO», sublinha.
“Quanto o TUMO aceita um desafio nós fazemos. Podemos não saber bem como, quando ou onde, mas uma coisa é certa: vai acabar por acontecer”
Esta comunhão entre a escola e a comunidade circundante, foi o que motivou o início do projeto. «Um dos comerciantes aqui da zona desafiou-nos a fazer um trabalho destes. Aceitámos. Não sabíamos como, quando nem onde o faríamos, mas aceitámos. E quando o TUMO aceita algo, isso acontece mesmo», explica Mafalda Magro, uma das gestoras do centro de formação e que acompanhou de perto o desenvolvimento tanto da exposição fotográfica como da criação da curta-metragem.
A gerir este pequeno momento cinematográfico esteve Carolina Costa, que explicou a necessidade de “ensinar” os menos experientes a «olhar e ouvir» de forma atenta, para conhecer histórias e perceber o que se apresentava como relevante para a “história”.
História esta real, com sentimentos, que apresentou uma rua em apenas 11 minutos. Com entrevistas e um olhar defensivo para as pessoas e ofegante na procura dos detalhes. «Acredito que conseguimos fazer deste filme uma “fruta bem espremida” da Alta de Coimbra», defende Joana Neto, jovem que se tornou realizadora durante o processo de criação da curta-metragem.
As fotografias estão expostas em todos os locais visitados pelos artistas e podem ser vistas, revistas e analisadas durante os próximos meses. A curta-metragem estará disponível no futuro sob o nome “Alta de Coimbra pela lente dos Tumonautas”.

“Tumo promete muito e entrega muito mais”
A experiência do TUMO é, segundo os próprios alunos, única e diferente, procurando oferecer desafios e soluções com os olhos postos no futuro. Esse “futuro” é dos seus alunos, dando ferramentas e conhecimentos práticos de trabalho, mas também soluções para problemas que se avizinham.
Joana Neto, realizadora da curta-metragem, afirma que «sempre soube» o que esperar da instituição, mas que continua surpreendida pela sua qualidade e pela forma como todos trabalham para continuar a desenvolver-se e a criar dentro da sua área “mãe”.











