
(In)dependente da chuva, fez-se Marcha pela Vida
O Dia Europeu da Vida Independente foi assinalado, pelas pessoas com deficiência, e não só, para reivindicarem os seus direitos fundamentais. A “Marcha pela Vida” foi efetuada em Vila Real, Braga, Guimarães, Porto, Aveiro, Lisboa, Faro e Coimbra. A data oficial do dia é 5 de maio, mas, em Portugal, foi decidido pela Comissão Organizadora da Marcha pela Vida Independente (COMVI) que se realizaria no sábado, para maior adesão do público.
Em Coimbra, a marcha precedeu-se de chuva intensa, que acompanhou todo o trajeto do Largo da Portagem até à Igreja de Santa Cruz. As reivindicações, na terra dos estudantes, foram, este ano, focadas na Academia e nas dificuldades que os alunos com deficiência sofrem na entrada no Ensino Superior.
A falta de acessos é um dos pontos mais referenciados por todos os membros da academia que possuem algum tipo de deficiência motora, sendo que algumas das secções da Associação Académica de Coimbra tornam-se completamente inacessíveis para muitos destes alunos.
Da mesma forma, o capacitismo continua a ser um problema intrínseco na sociedade, seja por desconhecimento das situações “vizinhas” seja por objeção à inclusão social de pessoas com algum género de deficiência.
Durante o trajeto efetuado, muitas foram as pessoas que acompanharam o “cortejo” onde as palavras «capacitismo mata», «mulheres com deficiência também estão na resistência», «direitos iguais, nem menos nem mais», «fortes, visíveis e com orgulho», «os “def’s” estão na rua, a luta continua», «a saúde é um direito, sem ela nada feito» e «queremos casa para viver, não um lar para morrer» deram ordem aos trabalhos de todos.
Marchas distintas, um sentimento
Apesar das marchas acontecerem em locais diferentes e com objetivos, em parte, distintos, a COMVI mantém uma dinamização de ideias comuns entre todos os centro “manifestantes”: a implementação da diversidade e dos direitos humanos das pessoas com deficiência.
A comissão possui um manifesto, que já foi subscrito por cerca de 30 organizações e 150 pessoas em nome individual.
As principais reivindicações da COMVI são o acesso a serviços de assistência pessoal, habitação acessível, educação, emprego, cuidados de saúde, mobilidade e uma política eficaz de desinstitucionalização.
A comissão convoca não apenas as pessoas com deficiência, mas também familiares, amigos e aliados a juntarem-se a esta “marcha pela dignidade, liberdade e igualdade”, que conta já com oito edições realizadas.
Marcha pela Vida vai na sua 8.ª edição e continuará até que os Direitos Humanos para Pessoas com Deficiência sejam respeitados
Livro da APCC já deu continuidade às reinvidicações da COMVI
Em abril, a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) lançou um livro - “Retratos de Vida Independente” - que mostra como a vida de uma pessoa com deficiência pode mudar graças ao acesso à assistência pessoal.
Através da escrita da jornalista Graça Barbosa Ribeiro e com a fotografia do fotógrafo João Hasselberg, são 13 as histórias contadas sobre pessoas com deficiência que, diariamente, conseguem construir um futuro graças a pequenas mudanças sociais.
Esta reportagem pode ser recuperada na edição de dia 9 de abril, na página quatro, do Diário de Coimbra, ou na notícia em anexo.











