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Populares da aldeia do Meco dizem “não” à exploração de sílica

Dezenas de pessoas juntaram-se ontem junto à Associação do Meco e recusaram participar em sessão de esclarecimento da empresa exploradora

Os moradores das aldeias do Meco, Vale Canosa e Amieiro, no município de Montemor-o-Velho uniram-se ontem numa vigília contra a possível exploração de um minério de areias siliciosas e argilas especiais pela empresa “Aldeia S.A”. Ontem, pelas 19h00, estava marcada uma sessão de esclarecimento convocada pela empresa exploradora, mas acabou por ser boicotada pela população.

A Associação do Centro Cultural e Desportivo do Meco foi “trancada” com fardos de palha e os representantes da empresa, impedidos de entrarem nas instalações, acabaram por abandonar o local.

Em causa, afirmam estar um «atentado ambiental e de saúde pública». Com uma área de exploração de cerca de 136 hectares com licença para exploração de poços a 30 metros de profundidade, a prospeção destes minérios iria ocupar uma área que abrange as aldeias de Meco, Vale Canosa e Amieiro.

Segundo Carolina Monteiro, a população ficou surpreendida quando, no dia 23, a Junta de Freguesia de Arazede assinou um edital a convocar para uma sessão de esclarecimento.

«Quando há uma sessão de esclarecimento à população é porque o processo já vem de cima e mais avançado. Estamos a falar de uma fase em que a empresa já vem com pareceres positivos», afirmou.

Apesar de terem sido “apanhados” de surpresa, moradores, amigos e populares das aldeias à volta uniram-se para participarem na movimento contra a exploração.

Dezenas de pessoas participaram ontem na vigília contra a prospeção de minérios nas aldeias de Montemor-o-Velho

«O “modus operandi” desta empresa é: mal eles entram na sala, começam a gravar e a partir do momento em que começam a falar consideram que a sessão de esclarecimento aconteceu. Não interessa o que a população pensa, não interessa se houve esclarecimento, interessa que eles têm uma prova em como esse esclarecimento supostamente aconteceu», criticou, acrescentando que a associação «é das pessoas da aldeia» e ninguém terá sido avisado que iria decorrer ali a sessão.

«Não tivemos tempo para criar uma comissão. Não tivemos tempo absolutamente para nada, nem para tentar recolher assinaturas ou para fazer um parecer negativo”, afirmou.

A solução passou por organizar uma vigília que contou com a presença de dezenas de pessoas, às quais se juntou a deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua. O presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho e alguns vereadores também estiveram presentes ao lado dos populares.

Segundo Emílio Torrão, o PDM (Plano Diretor Municipal), «não impedia a prospeção), portanto, a posição da Câmara é técnica». Contudo, o autarca, do ponto de vista político, é «contra a exploração», assegurou.

A mesma empresa - Aldeia S.A - já teria tentado fazer a exploração noutros pontos da região, nomeadamente em Soure e em Vila Verde.

Abril 30, 2025 . 07:15

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