
“Viva a liberdade, sempre!”, gritou-se na Casa do Povo de Lavos
Eram 10h03 quando ecoou ontem o hino nacional em frente à Casa do Povo de Lavos, em Regalheiras de Lavos, e se procedeu ao hastear da bandeira portuguesa pelas mãos do presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, perante a presença de diversas entidades e população que, na sua maioria, erguiam cravos vermelhos. Seguiu-se o içar das bandeiras da cidade e da freguesia. Todas ficaram a meia-haste, uma vez que foram decretados três dias de luto nacional pela morte do Papa Francisco. Ainda na rua, Pedro Santana Lopes fez a revista às corporações de bombeiros Sapadores e Voluntários, que estavam em parada.
As comemorações do 51.º aniversário do 25 de Abril foram feitas com pompa e circunstância, ou não fosse esta uma das datas que mudou a história de Portugal, e, já no interior da Casa do Povo de Lavos voltou-se a ouvir o hino nacional, mas desta vez, pelo som dos instrumentos da Filarmónica da Sociedade Artística Musical Carvalhense. De todos os quadrantes partidários, representantes políticos marcaram presença na sessão extraordinária da Assembleia Municipal, onde liberdade foi, inevitavelmente, a palavra de ordem. “Viva a liberdade, sempre!” foi a frase que fez parte da maioria dos discursos.
Coube a José Coelho, presidente da Junta de Freguesia de Lavos, fazer a saudação de boas--vindas a todos os presentes, afirmando que foi com «enorme satisfação e alegria» que recebeu o convite para a realização das comemorações neste espaço. Mencionando que «foi com os militares de abril que décadas de atraso foram recuperadas», o autarca afirmou que, nos dias de hoje, «tínhamos obrigação de fazer mais e melhor» em áreas como saúde, educação, habitação e transportes.
Seguiu-se a intervenção de António Teixeira, que foi o orador convidado para a cerimónia, em que referiu que depois de 48 anos da «mais feroz repressão, devemos render a nossa sentida homenagem a todos os democratas e antifascistas» que nunca desistiram de defender abril. «Devemos comemorar abril não só por aquilo que significou, mas também por aquilo que significará para o futuro de Portugal», salientou.
Já Góis Moço, da Associação 25 de Abril, disse ser com “orgulho” que comemora esta data, pois foi a revolução dos cravos que «trouxe liberdade, paz e democracia». O dia era de festa, mas para o coronel não se deveria esquecer a conjuntura do momento e apelou a que se fizesse «um momento de reflexão sobre os valores conquistados, mas também sobre os erros cometidos», a fim de se «continuar a lutar pela defesa e manutenção da liberdade alcançada».
Por sua vez, Eduardo Figueiredo, do Conselho Municipal da Juventude, relembrou os ideais da revolução francesa - liberdade, igualdade e fraternidade - para afirmar que a revolução dos cravos também chamou a si a vontade de criar estas ideias revolucionárias. No entanto, salientou que o «legado magnífico» que o 25 de abril deixou aos jovens «ainda hoje não está completamente concretizado», mas garantiu que os jovens se mobilizam em várias frentes para defender abril.
Entretanto, Pedro Miguel Jorge, do BE, aproveitou a ocasião para falar de Francisco João Ferreira e de José Costa, por terem sido, cada um à sua maneira, “protagonistas” no 25 de Abril, apesar do seu anonimato. O primeiro era o condutor do jipe em que seguia Salgueiro Maia e obedeceu às suas ordens. O outro conduzia um blindado e desobedeceu às ordens do brigadeiro Reis, recusando-se a disparar. Uma história entre dois militares de abril, onde Pedro Miguel Jorge quis mostrar a fragilidade dos dois lados da barricada.
«Hoje é um dia de grande júbilo. Comemoramos com genuína alegria», afirmou por seu turno Silvina Queirós, da CDU, referindo que o 25 de abril trouxe liberdade e responsabilidade. «É o resultado de muitos anos de luta contra o regime fascista e que muitos tentam hoje recuperar», criticou, lamentando que a conquista de abril se encontre em risco. Também Manuel Rascão Marques, do PSD, destacou que «a liberdade é mais do que um direito, é a essência da dignidade humana». O social democrata referiu que «a liberdade cresceu na partilha» e, por isso, «não pode ser um privilégio de alguns e uma ilusão para outros», deixando assim o apelo para «cumprir com a nossa obrigação», através do voto nas urnas.
«Estamos aqui para assinalar, honrar e afirmar abril», disse Rosa Costa Reis, do Grupo de Cidadãos Figueira A Primeira. Mencionando os «tempos conturbados e difíceis que vivemos», a responsável apelou a que se fizesse um «pequeno exercício de recordar a nossa herança democrática». Também Isabel Guardão Tavares, do PS, quis recordar «o dia em que se lutava por um novo paradigma», considerando que se devem «manter os jovens informados para honrar o passado».
Seguiu-se a intervenção de Pedro Santana Lopes (ver caixilho) e coube ao presidente da Assembleia Municipal encerrar os discursos da sessão solene. Na sua intervenção, José Duarte Pereira recordou a liberdade conquistada e os capitães de abril. «Esta é uma data que nos lembra que a liberdade e a democracia são conquistas frágeis», comentou, referindo-se ao facto de Portugal estar a viver «um momento político complexo». Nesse sentido, apelou ao voto nas próximas eleições, por considerar ser «uma oportunidade única para reforçar os alicerces da nossa democracia».
O programa contou com a atuação do Grupo Coral David de Sousa, da Filarmónica da Sociedade Artística Musical Carvalhense e do Rancho Folclórico “As Salineiras de Lavos”, e houve ainda espaço para o corte de um bolo alusivo às comemorações e um almoço volante entre todos os participantes.
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