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A palavra ganha poder reivindicativo na voz dos jovens estudantes

Alunos das escolas de Coimbra tiveram direito à palavra e usaram-na para exigir mais e melhor em nome da educação e para encher de emoção o salão nobre

Vestida de verde, tranquila, Shahd Mahdi usou da palavra e emocionou todos quantos participaram na Assembleia Municipal Jovem, que teve a sua segunda edição. Um projeto singular, que nasceu nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, e que ontem regressou ao Salão Nobre dos Paços do Concelho por vontade expressa dos alunos das escolas de Coimbra, que querem manter vivo este projeto. Ao presidente da Assembleia Municipal (AM) coube a tarefa de dar posse à mesa da AM Jovem, presidida por Maria Pureza, e Luís Marinho não escondeu a sua emoção perante a «alegria», a «frescura» e a «esperança» que viu estampada no rosto de todos os jovens deputados por um dia, que tomaram assento na AM Jovem. «Vocês vão exercer o direito à palavra, que nós só conseguimos com a Constituição de 1976», disse, dirigindo-se aos jovens estudantes. «O direito à palavra, à intervenção, o direito a sonhar» são, sublinhou, valores consagrados pela revolução de Abril de 1974.

Shahd Mahdi está em Portugal com o estatuto de refugiada desde 2016 e é aluna da Escola Básica Inês de Castro. «A liberdade tem sido a minha melhor aprendizagem neste país», disse, referindo o regime totalitário da sua terra natal, do qual fugiu e que foi derrubado em dezembro do ano passado. «Espero que a Síria siga o caminho de Portugal», avançou a jovem, fazendo um paralelismo entre o 25 de Abril de 1974 e o fim do regime opressivo e totalitário da Síria e deixando expressa a sua esperança de que também neste país «os direitos sejam conquistados».

«O 25 de Abril mostra que a nossa liberdade é uma conquista» e «sei que posso conseguir tudo aquilo porque estou a lutar», «posso ser tudo o que quiser», afirmou Shaha Mahdi, que não se esqueceu de dizer que veio de uma terra, de um país, «onde sonhar era impossível». E um dos seus sonhos é ser médica cirurgiã. «Não porque dê muito dinheiro, como alguns pensam», disse, mas porque com essa formação entende que pode «viajar pelo mundo, salvar pessoas e tornar o mundo melhor».

A jovem síria elogiou a escola, onde garantiu ser feliz, agradeceu a aprendizagem de liberdade e de valores que tem feito em Coimbra, juntamente com outros jovens, e despediu-se dizendo à Assembleia Municipal Jovem que aguarda «a nacionalidade portuguesa, para me sentir como um de vós!». Palavras que motivaram uma explosão de aplausos, com os deputados jovens e deputados municipais, vereadores, presidente da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal e público a aplaudirem de pé a jovem refugiada, um testemunho eloquente dos valores da liberdade e da democracia que Abril representa.

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Abril 26, 2025 . 08:30

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