
Mensagem do Papa Francisco ecoou na Sé Nova
«Devemos fazer com que a Igreja seja de todos, todos, todos». As palavras do Papa Francisco foram relembradas ontem à noite na Sé Nova, em celebração da vida, e dos ensinamentos, do falecido Santo Padre da Igreja católica.
Dirigida pelo bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, a cerimónia em honra de Jorge Bergoglio foi uma amostra do seu entendimento da Sagrada Bíblia.
A sua visão, que ultrapassava barreiras e chegou a todos os cantos do mundo, era vista como polémica e disruptora para muitas entidades católicas, porém foi essa visão que o tornou acarinhado à volta do globo.
Apesar do seu carácter, Francisco motivou mudanças de larga escala no seio da religião cristã, todas elas louvadas ontem pelo bispo de Coimbra, que recordou a sua passagem por Portugal aquando das Jornadas Mundiais da Juventude, em 2023.
«Devemos relembrar o desapego pelo ‘ouro’ do Papa», enalteceu D. Virgílio Antunes, «o desapego pelo material e o louvor ao espiritual foram-nos apresentados como uma resposta aos tempos difíceis que o mundo atravessou, e atravessa».
Na sua luta, a maior entidade da Igreja nunca esqueceu a importância de mencionar as comunidades menores e todas as que sofrem de discriminação, com a intenção de relembrar aos fieis que todos «são filhos de Deus» e «irmãos entre si», ideias que se sentiam perdidas.
«Francisco foi a resposta, uma amostra de compreensão e compaixão, fornecida por Deus», mencionou o prelado.
Multiculturalidade
Pessoas de todos os lados uniram-se para mostrar a fé, um desejo que o próprio Papa defendeu até ao seu último momento.
«A única vez que devemos olhar alguém de cima para baixo é quando tencionamos ajudá-la a levantar-se», uma frase que caracterizou a luta papal durante 12 anos, foi ouvida e repetida na missa a si dedicada.
Nepaleses, tailandeses, ucranianos e espanhóis (para mencionar alguns dos presentes) juntaram-se aos portugueses numa sessão solene.
De coração cheio - e com o olhar dos que “percebem” a religião e das crianças que começam a vivenciar a fé -, a Sé Nova de Coimbra encheu-se com um espírito de união em torno de um único objetivo: louvar o Papa.
Na sua humildade, quem se juntou na Sé Nova reviu-se nas suas palavras em vida, e levam--nas agora como uma “reinterpretação” dos ensinamentos de Jesus.
«Sabemos que a mensagem de Francisco era verdadeira e transversal, ouvida por todas as idades.
Isso reflete-se na quantidade de jovens que vejo entre nós, que se deslocaram aqui para celebrar aquilo que o Santíssimo Papa representa», sublinhou o bispo Virgílio Antunes.
Peregrinação final
Entrando agora na sua «última peregrinação», o Papa Francisco “desloca-se” sob a “luz” de Deus que o «direciona a continuar o seu caminho na eternidade» desvendando assim o «grande mistério da fé»: o pós--morte.
«Estou certo de que a sua missão continuará, viva, entre nós», afirmou o bispo de Coimbra, que incitou a que todos «rezem por Francisco» como o próprio “pedia” em vida.
A «grande submissão» à mensagem do Evangelho demonstrava que o Papa representava uma «continuidade» dos apóstolos, principalmente com a sua “apresentação” «pé de esmola», Francisco sempre pregou o amor ao próximo e incitou a que todos seguissem o exemplo superior e dessem o seu melhor para ajudar quem necessita.
Esta será uma ideia que continuará viva em todos, após toda a lição do Santo Padre. «A sua mensagem de esperança, do olhar misericordioso, vai permanecer connosco.
A memória da sua eloquência simples e ligada ao gesto permanecerá».

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