
A sardinha é boa e a safra promete ser excelente
Os indicadores do primeiro dia de safra «são os melhores», garantiu António Miguel Lé, ontem no tradicional almoço, promovido pela Cooperativa de Produtores de Peixe do Centro Litoral, que assinala o início da época da sardinha. O armador elogiou as obras que têm vindo a ser desenvolvidas e acredita que, «se tivermos saúde», tendo em conta «as boas negociações que foram feitas» e «a avaliação da ciência» a época da sardinha promete ser de feição. «Toda a gente quer ser o arco-íris, mas é preciso resistir à chuva, enfrentar as dificuldades», adiantou, confiante que os pescadores, particularmente da Figueira da Foz, vão ter, este ano, «tudo quanto é bom». «Somos pessoas de fé e acreditamos que Deus nos protege e que vamos ter um bom ano», disse.
Quanto a preços, António Miguel Lé defende o «razoável», de forma a que a sociedade portuguesa possa manter alguns dos seus valores identitários, como é o caso da sardinhada. O valor, «contratado para o ano inteiro» é, «no mínimo, de um euro», o que, tendo em conta «o aumento de quota», representa «uma valorização muito boa», considera. Admite, todavia, que na altura das festejos dos santos populares a sardinha possa galvanizar, mas espera que o preço ao consumidor se mantenha dentro «dos limites razoáveis», de forma a «permitir que toda a gente possa desfrutar deste produto, o mais nobre que as nossa águas têm». Ontem, na Lota da Figueira da Foz, a sardinha atingiu o preço de um euro o quilo e de 22,5 euros o cabaz.
Para António Miguel Lé, que lidera uma das maiores frotas pesqueiras da região, a sardinha «é o petróleo das águas portuguesas» e defende, desde há muito, a criação de uma entidade reguladora do preço do pescado. Ontem reforçou essa ideia. «É fundamental, até porque se elimina alguma especulação». Mais do que isso, lembra que Portugal «é um país pequeno, com uma economia de valores. Não somos uma economia de quantidades».
José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e Pescas, que participou no almoço, no restaurante Tapas, juntamente com a secretária de Estado das Pescas, “não mordeu o anzol”. «Não excluo essa a solução, desde que se possa mostrar útil e positiva para os nossos pescadores», disse, em resposta à insistência dos jornalistas, argumentando, muito embora, com a necessidade de articulação com a vizinha Espanha e com a Europa. Defendeu, sim, um «preço razoável» para o consumidor, de forma a permitir um acesso generalizado ao produto, mas destacou sobretudo os pescadores. «Queremos que os pescadores consigam ter o rendimento que merecem face a um trabalho árduo e tudo faremos para que melhorem esse rendimento e que a profissão se torne atrativa para as gerações mais jovens», disse. «A renovação geracional» nas pescas é uma preocupação, assumiu, elogiando a «qualidade» dos pescadores e armadores nacionais e a aposta que têm feito na modernização das embarcações.
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