
Obras no museu são desafio e oportunidade para novas propostas
Foi nomeada em dezembro diretora do Museu Machado de Castro. Como encarou este desafio?
Encarei o desafio com muita motivação, a mesma com que concorri.
O Museu Machado Castro tem uma coleção e um conjunto patrimonial muitíssimo desafiante.
Foi esse potencial que se conhece e que é identificável no museu que me motivou a candidatar. Estou muito motivada para abraçar este desafio.
Na realidade, o museu já fazia parte do meu quotidiano, como professora de História de Arte na Faculdade de Letras.
Este museu é um laboratório de excelência para quem ensina nestas áreas do Património, da História de Arte, da Museologia.
Digamos que é agora uma outra vertente de abordagem, mas é um equipamento que tive a felicidade de conhecer bastante bem nos últimos anos e, por isso, fui com grande entusiasmo que iniciei funções.
É possível fazer um balanço?
A experiência é muito recente. Iniciei funções a 1 de fevereiro.
Mas o balanço é extremamente positivo e, mais uma vez, muito motivador.
A concretização de projetos e iniciativas é muito facilitada pela equipa extraordinária do museu.
Há uma motivação e um empenho da equipa, sem os quais não era possível, por muitas ideias que tivéssemos, trabalhar, nem concretizar projetos.
Esse é, para já, o balanço fundamental e foi, desde logo também, uma forma de compreender como é que ia conseguir trabalhar e implementar os projetos que tinha pensados.

Assumiu a abertura da Igreja de São João de Almedina como um dos maiores desafios. O arranque das obras para breve e a conclusão em 2026 será muito motivador. Que importância tem esta obra para o museu?
Uma grande importância. Este é um dos projetos em que, quando me candidatei, coloquei um particular empenho e no qual vou continuar a empenhar-me.
Diria que é, a curto prazo, a iniciativa de monta que vamos abraçar no museu.
A Igreja de São João de Almedina é um equipamento que todos conhecemos, um edifício muito marcante na Alta, mas muito pouco conhecido.
Os mais velhos poderão ter uma vaga ideia, os mais novos nunca entraram na Igreja de São João de Almedina. Por um lado, o desconhecimento, por outro, a importância e relevância que nunca foi verdadeiramente sublinhada neste edifício.
É uma igreja muitíssimo importante, não só pelas suas origens medievais, por ter sido o lugar de culto privilegiado dos bispos de Coimbra, portanto, a Igreja do Paço Episcopal, mas porque teve uma vida muito atribulada ao longo do século XIX e um encerramento muito precoce.
Tudo isto fez com que a igreja tivesse sido votada ao esquecimento e, a um dado passo, verdadeiramente ao abandono, provocando um afastamento. Uma igreja fechada, sem funcionalidade, sem poder ser visitada e conhecida pelo público, é um património esquecido.
Tem aqui um grande desafio.
Sim, é um grande desafio que assenta em dois eixos. Por um lado, dá-la a conhecer materialmente.
E, dentro de um ano, estaremos a inaugurar ou reinaugurar a Igreja de São João de Almedina convertida em auditório.
Por outro lado, devolvê-la com conhecimento acrescentado. E está a desenvolver-se um projeto de investigação para construir uma história que nunca foi feita.
Existe muito pouca coisa escrita. Sabe-se muito pouco sobre o edifício. Só com este conhecimento é que a vamos poder valorizar verdadeiramente.
Um desafio muito interessante da Igreja de São João da Almedina assenta na circunstância do Museu Machado de Castro ter sido depositário dos poucos vestígios materiais que sobreviveram, por exemplo, da componente decorativa, ao nível de altares, imagens, alfaias litúrgicas, que estavam nas reservas do museu, alguns sem contexto e sem se saber bem sequer, por vezes, o que eram aquelas peças.
Todo este cruzamento vai ser muito interessante, até para a valorização das próprias coleções.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:












