
Astrofísico da UC participa em descoberta de exoplaneta
Um grupo de cientistas internacional descobriu um planeta cuja órbita faz um ângulo de 90º em torno de um par de estrelas peculiares. É a primeira vez que surgem fortes indícios de um destes “planetas polares” a orbitar duas estrelas em simultâneo. A descoberta foi possível com o auxílio do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul.
O estudo, publicado na revista Science Advances, foi liderado por Thomas Baycroft, da Universidade de Birmingham, Reino Unido, e contou com a coautoria de Alexandre Correia, professor no Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigador do Centro de Física da UC (CFisUC).
Nos últimos anos, foram descobertos vários planetas a orbitar duas estrelas, intitulados planetas circumbinários. Em geral, estes planetas viajam em órbitas que se encontram aproximadamente no mesmo plano da órbita das estrelas hospedeiras em torno uma da outra (órbitas coplanares). Havia já, no entanto, indícios anteriores de que poderiam existir planetas em órbitas perpendiculares, ou polares, em torno de estrelas binárias. Contudo, até agora, não havia provas claras de que estes planetas polares existiam de facto.
«Estou verdadeiramente entusiasmado por estar envolvido na deteção de indícios credíveis que apontam para a existência desta configuração», diz Thomas Baycroft, citado em comunicado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
«A grande surpresa é como o planeta evoluiu para uma órbita deste tipo, pois a maioria das teorias de formação planetária preveem apenas órbitas coplanares», acrescenta Alexandre Correia.
"Esta descoberta foi realmente inesperada"
A equipa encontrou este planeta quando refinava os parâmetros orbitais e físicos das duas anãs castanhas a partir de observações levadas a cabo com o instrumento UVES (Ultraviolet and Visual Echelle Spectrograph) montado no VLT do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile. Este par de anãs castanhas foi detetado pela primeira vez em 2018, por Amaury Triaud e outros investigadores, que utilizaram o SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars), outra instalação do Paranal.
Os cientistas observaram a trajetória orbital das duas estrelas a ser “empurrada” de forma invulgar, o que os levou a inferir a existência de um exoplaneta com este estranho ângulo orbital. «Revimos todos os cenários possíveis e o único consistente com os dados obtidos corresponde à existência de um planeta numa órbita polar em torno deste binário», revelam os especialistas.
«Esta descoberta foi realmente inesperada, pois as nossas observações não foram recolhidas para procurar um planeta ou configuração orbital deste tipo. Como tal, foi de facto uma grande surpresa», concluem os investigadores. |











