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As obras de "A Fábrica das Sombras"

Até 5 de julho, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, pode visitar a exposição «A Fábrica das Sombras», apresentada no âmbito do Anozero’25 Solo Show. A mostra propõe um percurso imersivo pelo universo sensorial de Janet Cardiff & George Bures Miller, dois dos mais influentes artistas contemporâneos no campo da arte sonora e multimédia.

Reconhecidos internacionalmente pelas suas instalações site-specific e pelas experiências áudio e vídeo que criam, os artistas — que vivem e trabalham no Canadá — apresentam 13 obras que ocupam e transformam o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, desafiando a perceção do espaço e ativando novas camadas de escuta e interpretação.

A exposição pode ser visitada de quarta a domingo, das 11h00 às 19h00, com entrada livre.

Semanalmente, destacamos uma das obras que compõem «A Fábrica das Sombras» — num convite contínuo à descoberta desta exposição única.

 

AVISO  A exposição A Fábrica das Sombras estará encerrada no Domingo de Páscoa, dia 20 de abril

 

Curtain, 1990–2024

George Bures Miller

Curtain Jorge Das Neves 5

Na entrada escurecida do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, suspende-se uma cortina negra em seda, na qual incidem quatro luzes intermitentes. O seu remate recortado permite que a sombra de um grande fogo ativo seja projetada na parede. Lida à medida do local que ocupa — as chamas incidem sobre a histórica roda dos enjeitados —, Curtain reflete nas vidas que tiveram início neste espaço. Afinal, fogo e vida sempre estiveram ligados desde o início dos tempos. A alegoria do tecido reflete os elementos centrais que definem a obra de Cardiff e Bures Miller: experiência multissensorial, teatralidade, magia da ilusão e poder da memória. No entanto, contrariamente ao entretenimento da narração de histórias, o jogo de sombras aqui formado assemelha-se mais a pesadelo: o do fogo. Vindos do outro lado do corredor, os ruídos de sirenes e do crepitar das chamas adensam esta atmosfera. Desengane-se quem vê neste calor uma experiência individual. Ele compreende a memória e a aflição coletivas perante a condição atual global: o mundo parece uma casa a arder, instável e apreensivo, tal como o futuro do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. A arte não preserva somente a memória cultural, também expõe os riscos da sua distorção. A cortina posta a nu revela os seus mecanismos — um truque de magia que facilmente desmascaramos. A ser, este fogo é simbólico, todavia persistente. E assim se constrói a narrativa: continuamente reestruturada pela interpretação do espectador, onde coexistem a excitação e o breu.

Desde a sua fundação em 2015, o Anozero — Bienal de Coimbra tem afirmado um modelo único de colaboração entre o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a Câmara Municipal e a Universidade de Coimbra, trazendo à cidade exposições e artistas que desafiam as formas tradicionais de pensar, fazer e experienciar arte.

Abril 18, 2025 . 09:34

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