
Doentes sem laringe integram coro e mostram que “há vida depois do cancro”
Sem voz natural, mas com uma voz diferente os doentes laringectomizados mostram que «há vida para além do cancro» no coro criado no seio do Serviço de Otorrinolaringologia, como fez questão de afirmar Jorge Miguéis, diretor deste serviço da ULS de Coimbra, aos jornalistas, no Dia Mundial da Voz.
A data comemorativa foi assinalado pelo serviço para «chamar a atenção para algo que utilizamos quotidianamente e, por isso, não lhe damos a atenção devida», disse.
Os seis doentes que tiveram de reaprender uma forma de comunicar depois de lhes ter sido retirado a laringe, devido a situações de cancro, fazem parte do Coro de Laringectomizados criado há três anos pela mão de Jorge Miguéis com o propósito de trabalhar a reabilitação social destas pessoas.
A ideia do coro surgiu durante a formação do médico em Bordéus, onde já existia um projeto semelhante. «Há semelhança do que existe noutros países o coro pretende mostrar que se pode falar sem voz», disse.
"Os doentes chegam mais felizes e mais motivados para se encontrarem socialmente, que é um problema nesta doença, porque existe a tendência de se isolarem quando não conseguem falar", afirmou o maestro
Gustavo Godinho é o maestro responsável por este grupo constituído por 15 a 20 pessoas com voz natural e doentes. «O trabalho que fazemos é, de certa forma, começado na terapia da fala, sendo, no fundo, uma extensão desta reabilitação e da capacidade de projeção e de compreensão que os outros têm dos doentes», realçou o maestro Gustavo Godinho, em declarações aos jornalistas.
«Os doentes estão extremamente motivados nos ensaios do coro, que é também uma reabilitação social. Os doentes chegam mais felizes e mais motivados para se encontrarem socialmente, que é um problema nesta doença, porque existe a tendência de se isolarem quando não conseguem falar».
Um dos membros do coro é Ernesto Grilo, operado em 2015 devido a um tumor maligno na laringe. «A cirurgia ajudou-me a melhorar a minha vida, porque já não tinha condições de viver e hoje levo uma vida quase normal», assegurou. A capacidade de voltar a comunicar, essa conseguiu adquirir através da terapia da fala, mas também com a ajuda do coro.
«O coro ajuda-nos muito, mesmo a desenvolver e a melhorar a voz, e o convívio é tudo para nós estarmos mais livres e à vontade para podermos comunicar», realçou.
Em Portugal, surgem todos os anos «cerca de mil novos casos de cancros na laringe», avançou o diretor do Serviço.
"A cirurgia ajudou-me a melhorar a minha vida, porque já não tinha condições de viver e hoje levo uma vida quase normal", afirmou um dos membros do coro
«A maior parte das doenças da laringe são benignas, cujos tratamentos não implicam amputação da voz, mas há situações de cancros da laringe em que, efetivamente, para darmos uma hipótese ao doente de sobreviver, obriga à realização de gestos terapêuticos que, muitas vezes, incluem uma operação que lhes tira permanentemente o órgão da função, que é a laringe, explicou Jorge Miguéis.
No Dia Mundial da Voz deixou três causas para possíveis problemas na laringe: «fumar, falar muito e demasiado alto e o frio»










