
Avanços científicos dão “novo ímpeto” a XX Edição de jogos tradicionais na Lousã
São dois dias em que os mais jovens se “esquecem” dos telemóveis e das novas tecnologias em casa e relembram como praticar as atividades desportivas do mais tradicional que há. A junta de freguesia da Lousã e Vilarinho não quer deixar as tradições “morrer” e, por isso, há 20 anos que mantém viva os Jogos da Freguesia de Lousã e Vilarinho.
Em quatro campos diferentes, com o foco principal a incidir sobre o Estádio José Redondo, mais de mil crianças juntam-se para participar em pequenos desafios que, não “dando prémios” unem cada um e mostram a «diversão à antiga».
«Ontem [dia 8 de abril] tivemos cerca de 400 meninos do pré-escolar a jogar na EB2 da Lousã. Hoje [dia 9 de abril] estiveram cerca de 1.300 alunos, divididos entre os campos do Estádio José Redondo, Estádio Municipal Dr. José Pinto de Aguiar, EB2 da Lousã e Parque Urbano», indica a presidente da junta de freguesia de Lousã e Vilarinho, Helena Correia.
Esta iniciativa é galardoada, de forma repetida, principalmente desde 2019, com prémios de ecologia, cultura e excelência
Para a autarca, o evento foi, mais uma vez, um sucesso. «Correu tudo muito bem. Não existe nenhuma pressão na parte desportiva, queremos que os meninos e meninas se divirtam e eles, claramente, divertem-se. Mesmo que seja apenas a aparecer aqui, com os amigos, e a rebolar na relva», sublinha.
O objetivo destes jogos é manter estas expressões desportivas vivas e revitalizadas, de modo a promover igualdade de género e de oportunidades, uma diretiva incentivada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Para não se “cair na rotina”, ao longo dos 20 anos da atividade foram várias as “inovações” aplicadas.
«Esta iniciativa começou pequena e foi crescendo, fruto do interesse e do consequente sucesso. Incluímos alunos do segundo e terceiro ciclo e, há três anos, do pré-escolar - os Minijogos da Freguesia. Todos estes “aumentos” foram uma coisa muito positiva», reflete a presidente, continuando, «este ano a aposta foi mais na vertente cientifica».
Os cerca de 300 voluntários - pais e alunos das escolas secundárias - ajudaram a «por tudo a mexer», e foram acompanhados por diversão e pelo «reconhecimento» de uma produção bem concluída.
Décadas de vida aliadas à evolução científica
Em 2025, existiu pela primeira vez o acompanhamento por parte de peritos da Associação Europeia de Jogos e Desportos Tradicionais (AEJEST), uma aposta que reflete o «enraizamento» da atividade, onde os próprios monitores «já fizeram parte das escolas que agora acompanham».
O reconhecimento do sucesso vem pelo carinho demonstrado pela comunidade, de forma repetida, ao longo dos anos. «A compreensão da importância dos desportos tradicionais é uma grande recompensa. É uma prática saudável a vários níveis» enaltece a autarca, que refere que o trabalho dos especialistas da AEJEST será “apenas” de análise de «um inquérito preenchido pelos meninos mais velhos», que compara os níveis de satisfação antes e depois dos jogos.
Em termos de inclusão, existe uma parceria com a ARCIL (Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã) e com a Santa Casa da Misericórdia, que visa incluir várias gerações na iniciativa.










