Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Aecoimbra 20260528
Pub Dc Rfm Somnii 20260527
Legua Dc
Pub

Salatinas: uma história de Coimbra “que estava à espera de ser contada”

Um trabalho jornalístico foi mote para um filme que quer levar aos cinemas as memórias... e também as mágoas de quem sofreu na pele a destruição da Alta de Coimbra para a transformar na Cidade Universitária que todos conhecemos

Um pequeno teaser já circula há uns dias na internet. Em menos de três minutos a Milú recorda o desgosto do tio, a Maria Isabel fala na «linda fachada» da antiga Faculdade de Letras. Há quem recorde as muitas lojas, da mercearia ao quiosque ou à florista... que faziam da Alta de Coimbra uma “cidade dentro da cidade” que, até aos anos 40, até cinema tinha...

A história dos Salatinas vai, finalmente, ser contada. E estes poucos mais de dois minutos de testemunhos são apenas um “cheirinho” do que, lá para o verão, chegará às salas nacionais e internacionais e também, se tudo correr como previsto, aos grandes festivais de cinema.

Salatinas 7

Um trabalho jornalístico é o início desta bela aventura que, no fundo, vem fazer justiça a uma parte da história de Coimbra que «estava à espera de ser contada», comenta ao Diário de Coimbra Rafael Vieira, o jornalista que, juntamente com Filipa Queiroz, embarcaram neste desafio de procurar testemunhos, memórias, partilhas e histórias das cerca de 3.000 pessoas que, a partir dos anos 40 e até meados dos anos 60, viram as suas casas (e no fundo as suas vidas) destruídas e foram deslocalizadas para outras zonas da cidade para que, por decisão do Estado Novo, as casas, as lojas, os quiosques, o cinema e tantos outros edifícios dessem lugar à Alta Universitária que hoje conhecemos.
Depressa Rafael Vieira e Filipa Queiroz perceberam que estava ali «uma comunidade esquecida na história da cidade» e, mais ainda, que era «urgente» recuperar a memória daquelas pessoas, poucas já, que viveram na pele os impactos da demolição da Alta. «As pessoas olham para ali e pensam que aqueles edifícios que vemos estiveram sempre lá», comentam os dois jornalistas, conscientes da necessidade de, rapidamente, terem de contactar os “sobreviventes” desta demolição, ouvir as suas histórias, perceber as suas mágoas, conhecer as suas esperanças e, desse forma, contribuir para perpetuar a sua memória.
«Nós sentimos a urgência de contar a história rapidamente, porque as pessoas estão a desaparecer. Cada minuto que passa, há esse perigo de se perderem memórias e as que ficarão, serão sempre filtradas», resumem os dois jornalistas e também o realizador Tiago Cerveira, que compõe o trio responsável por este projeto que se quer transformar em filme/documentário.
Mal sabiam os três responsáveis que os Salatinas (ainda vivos) e os seus familiares mais próximos, habituados a ouvir esta história, estavam, também eles ávidos de a contar a todos.
Talvez, como sublinhou Rafael Vieira, ambos tenham percebido que «esta é a última oportunidade para termos os relatos na primeira pessoa». O trabalho no terreno começou no verão de 2023, com as primeiras entrevistas, ainda sem saber muito bem se teriam conteúdo para o tão desejado filme.

Salatinas 3

Mas depressa se deixaram surpreender pelos relatos tão apaixonados e alguns amargurados de uma comunidade unida, que se fragmentou por vários bairros da cidade: o Bairro de Celas, da Fonte do Castanheiro, da Arregaça ou Marechal Carmona (atual Norton de Matos).
«Há ali uma espécie de catarse e um agradecimento por terem a oportunidade de perpetuar uma memória», confirmam os três, confessando o quão enriquecedor foi conhecer tantas histórias de uma outra vida da Alta de Coimbra. Uma vida de pessoas que até vocabulário próprio tinham, como confessam os três responsáveis. Tanto que têm a certeza que há muito que terá de ficar de fora, na hora de montagem das imagens recolhidas.
Essa hora começa este mês de fevereiro, enquanto também decorre a fase de promoção do trabalho realizado, como acontece com uma exposição patente no AlmaShopping até amanhã, com a divulgação que Rafael Vieira, Filipa Queiroz e Tiago Cerveira têm feito publicamente do “Salatinas” e ainda de uma campanha de Crowdfunding que está a decorrer (ppl.pt/salatinas) que pretende «consolidar o financiamento» do projeto (contou com o apoio da Câmara de Coimbra) para que ele possa chegar o mais longe possível.
«Queremos levar o “Salatinas” às salas nacionais e internacionais, mas levá-lo o mais longe possível, inclusive a festivais de cinema internacionais», confirma Tiago Cerveira, garantindo que o caminho será tanto mais de glória para o projeto e para a história dos salatinas, quanto o que a equipa - à qual também se junta Gonçalo Parreirão, responsável pela banda sonora - conseguir de apoios para este filme tão especial. «Vai ser interessante perceber que este filme é resultado de um espírito colaborativo», remata Tiago Cerveira.

Projeto tem a correr uma campanha de crowdfunding para ajudar no financiamento do filme

Fevereiro 1, 2025 . 08:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right