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Sindicato dos enfermeiros pede a ministra que intervenha em Resende


quinta, 26 março 2020

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses apelou hoje à ministra da Saúde que intervenha “o mais rápido possível” na Santa Casa da Misericórdia de Resende, onde se registam 10 infeções da covid-19.
Dizendo temer “uma situação de catástrofe” se nada for feito, o sindicato lembra que estão confirmados “10 utentes com resultados positivos” na Unidade de Cuidados Continuados desta Misericórdia, mas o número pode aumentar. Entretanto, no final da tarde de ontem, o município confirmou mais 12 casos positivos de covid-19.
“Há a possibilidade de as coisas piorarem ainda mais, uma vez que se aguardam os resultados de outros testes que a própria instituição mandou fazer (ao todo a 18 utentes do lar - todos acamados - e a alguns funcionários) que, como será de prever, tem grandes probabilidades de serem positivos”.
Segundo o sindicato, “na instituição trabalham, neste momento, três enfermeiros”, dois dos quais prestadores de serviços (recibos verdes), “uma vez que os restantes estão todos em quarentena por contacto e prestação de cuidados diretos aos utentes infetados”.
Os três enfermeiros “estão a trabalhar sem quaisquer condições físicas, humanas e de proteção”, lamenta.
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses refere que estes profissionais “trabalham 24 horas seguidas com períodos de repouso de apenas oito horas entre elas” e que “não há na instituição equipamentos de proteção individual”.
“A instituição já assumiu ter esgotado todos os recursos que tinha definido no seu plano de contingência, não ter capacidade de resposta e até já ter alertado a Direção-Geral da Saúde, da qual não obteve qualquer resposta ou ajuda”, acrescenta.
A agência Lusa tentou, mas em vão, contactar o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Resende.
Num comunicado colocado na rede social Facebook, a Câmara de Resende refere que o seu presidente, Garcez Trindade, “decidiu declarar a situação de alerta de âmbito municipal” às 16h30 de ontem, confirmando a existência de mais 12 casos positivos de covid-19 no concelho.
“Na sequência desta declaração, foi realizada uma reunião da Comissão Municipal de Protecção Civil, que deliberou activar o Plano Municipal de Emergência, com efeitos imediatos”, explica.
O Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil de Resende é um documento formal, no qual se encontram definidas as orientações relativamente ao modo de atuação dos vários organismos, serviços e estruturas a empenhar em operações de proteção civil, com o intuito de organizar, orientar, facilitar, agilizar e uniformizar as ações necessárias à resposta.