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Sexta-Feira, 3 de Setembro 2010
Comentários

Maiorca 

Junta dizimou
eucaliptal para
saldar dívidas


Dois crimes ambientais foram cometidos na freguesia de Maiorca, concelho da Figueira da Foz. E por mais improvável que pareça (ou não) estes crimes tiveram a mão da nova Junta de Freguesia, eleita há pouco mais de 3 meses, e presidida por Filipe Dias. A poda que a Junta mandou fazer aos plátanos da “feira velha” transformou-se – por manifesta incompetência e ignorância – num massacre. Cortaram os fortes ramos com motoserras, e deixaram as árvores em estado lastimável (como disse o autor do blog figueiranafoz, citando alguns moradores). Não contentes, por terem destruído os plátanos que estavam na “feira velha”, e eram até hoje o pórtico na entrada da freguesia, os membros da actual Junta deram ordem para devastar o eucaliptal junto do Parque do Lago (que nem sequer pertence à Junta, mas à Câmara Municipal). Tal como diz o Diário de Coimbra: Aquele eucaliptal dava acesso a um espaço privilegiado… e que contempla designadamente um moinho, a piscina, o largo da feira [...] onde “muita gente no Verão fazia piqueniques, aproveitando a sombra“, dizia um maiorquense. Outro habitante disse que “a outra junta gastou tanto tempo e dinheiro a tratar disto, para agora virem estes e deitarem tudo abaixo“. Filipe Dias, já consciente da borrada que fez, tenta explicar dizendo que “os eucaliptos já não dão mais“. Desculpa esfarrapada e fácilmente rebatida por Francisco Caetano que em comentário à notícia dizia: “devido ao seu porte, localização e idade, assumem características de povoamentos em espaço de protecção e lazer cujo valor patrimonial e paisagístico vais sempre aumentando.” Outro comentador e Figueirense indignado sabe do que fala. António Patrão (Engº Florestal) da Autoridade Florestal Nacional dizia: “É pena que em Portugal a democracia ainda consiga elejer a imbecilidade… Há crimes irreparáveis?“. Era precisamente com este tipo de especialistas que a Junta se devia ter aconselhado antes de fazer tal barbaridade. Algo que o anterior Presidente da Junta, José Ligeiro, conscientemente fez: há uns anos atrás, pediu ao especialista Francisco Coimbra (considerado como uma referência em termos de árvores florestais e ornamentais), que aconselhasse “e ele veio dar explicações como se devia cortar. A opinião era que nem se devia mexer, mas a cortar, nunca se deve cortar os troncos, para preservar“. Fernando Campos, no seu blogue, diz que “Os animais que perpetraram esta selvajaria têm nome e, pelos vistos, impunidade: Filipe Dias, o jovem presidente da Junta de Freguesia de Maiorca“. Eu concordo e acrescento que isto não se tratou só de ignorância e incompetência. Tratou-se de um acto arrogante e provocador á população. Uma tentativa de “mostrar quem manda” á sociedade civil maiorquense. Mas saiu o tiro pela culatra. Cometeram um erro irreparável. Exige-se um pedido de desculpas publico á população. E os maiorquenses não podem ficar calados. Têm de o exigir.

Por: Luis Melo (2010-02-09 00:41:51)

Além da atitude do executivo da Junta, é triste e lamentável o comentário do Sr. Vereador pois para quem não sabe, existe um despacho publicado pelo anterior Presidente da Câmara, onde está bem explícito, que nenhuma árvore do espaço público poderá ser abatida sem a sua prévia autorização (e mesmo assim o seu corte teria de ser muito bem justificado). Poderemos acusar o anterior mandato de muita coisa mas, quanto a este assunto o Eng. Duarte Silva era bastante sensível e tenho a certeza que não perdoaria tal acto de vandalismo. Assim é estranho que um vereador que enquanto esteve na oposição fosse tão interventivo na defesa do Concelho e agora que está numa posição com possibilidade de decisão, se acobarde e defenda o indefensável. Quanto ao presidente da junta, bem... nem vale a pena tecer comentários... as acções falam por si! Vale a pena referir que um presidente de junta não manda sozinho. Existe também um secretário e uma tesoureira, e o que dois não querem um não poderá fazer. Assim parece-me que estas decisões “criminosas" terão muito mais do que um rosto. Gostaria também de informar – para quem não sabe – que a desculpa de arrasar um eucaliptal com mais de 50 anos para saldar dívidas, não passa de isso mesmo... Uma desculpa. Afinal estas dívidas são resultantes do atraso nas transferências camarárias. Ou seja dívidas a curto prazo saldadas. Para além disso a Junta de Freguesia possui património imobiliário (doado por um cidadão com prévia autorização de venda em caso de necessidade), que poderia vender, sem necessitar de cometer actos “criminosos” contra o ambiente e directamente contra árvores (seres vivos grandiosos que sofrem em silêncio). Como engenheira florestal, poderia explicar mil e uma razões pelas quais a rolagem feita aos plátanos do largo da Feira Velha, o abate dos majestosos eucaliptos do Parque do Lago, o abate de parte do povoamento misto de pinheiros bravos e carvalhos (alguns destes com 55cm de diâmetro), junto ao campo de futebol (é de salientar que este povoamento tinha sofrido uma intervenção de limpeza de matos e encaminhamento dos carvalhos em 2008, por uma Equipa de Sapadores Florestais da Câmara Municipal), não deveriam ter sido feitas. Mas limito-me a perguntar como vai querer o presente executivo da Junta de Freguesia de Maiorca saldar a dívida contraída aos seus munícipes privando-os e privando as gerações futuras de usufruir de espaços com exemplares de árvores majestosas que proporcionaram e proporcionavam momentos de lazer saudáveis? E como vai esse mesmo executivo, alguma vez, conseguir olhar para a população sabendo que condenou dezenas de árvores à "morte lenta" e sabendo que este "crime" foi visualizado por muitas dezenas de crianças. Sim porque estas árvores "amputadas" estão junto a um jardim-de-infância e a 50 metros de uma escola primária! São estes os exemplos, de desrespeito pelos seres vivos que uma autarquia pretende dar às nossas crianças? Depois de toda a polémica a envolver estes actos, o executivo da Junta parece não se arrepender. Afinal uma semana depois, foi o Parque de Merendas junto à Fonte, o alvo de mais uma acção deste executivo. Desta vez foram feitos rebaixamentos em plátanos com aproximadamente 20 anos, que cresciam neste parque, em porte livre. Será que o Sr. Vereador do pelouro do Ambiente vai continuar a deixar passar impunes estes actos? Ângela Borges - Engenheira Florestal - Residente em Maiorca

Por: Angela Borges (2010-02-09 00:41:24)

Sou habitante da freguesia de Maiorca e sinto-me totalmente ENVERGONHADA pela atitude tomada pelo "nosso" senhor presidente. Todos os dias durante a minha deslocação para a escola passo pelos cepos do frondoso eucaliptal que existiu no Parque do Lago até há bem pouco tempo. Ao contrário do que o ignorante Filipe Dias (presidente da junta) afirma, este espaço era bastante usado (e, curiosamente, em grande parte pelos seus conterrâneos santamarenses) para actividades de lazer, piqueniques e merendas aos fins de semana com bom tempo. E se bem estão recordados, durante as grandiosas Festas da Freguesia de Maiorca, nas quais estava incluído o Desfile das Carroças (que para quem não sabe, serviram de base a uma lei dos carroceiros no Brasil e são já conhecidas além fronteiras) os animais participantes no desfile, incluindo os cavalos, descansavam na sombra proporcionada pelo eucaliptal. Com a idade que estes eucaliptos tinham já eram considerados património!! E replantar novos eucaliptos no lugar daqeles? Por favor sr presidente! Já para não falar na poda monstruosa feita nos plátanos na Feira Velha e das escolas! Realmente, só alguém que pretenda desafiar a população no "vamos ver quem manda agora aqui" é que poderia mandar cometer uma atrocidade destas! E não lhe bastaram as críticas e recomendações feitas depois da asneira! Já depois deste escândalo as árvores do parque de merendas do Paço estão também a ser decepadas! Veremos então como serão podadas as belas árvores da terra do sr presidente, Santo Amaro da Boiça. Fica o apelo para que a população exija um pedido de desculpas público e formal em relação às atrocidades cometidas. I.E.

Por: Anónima (2010-02-04 22:32:40)

A junta e a Câmara deveriam pronunciar-se em relação a estes atentados ao património arboreo da Freguesia.

Por: Manel J. (2010-01-28 12:29:33)

O jovem que orientou os trabalhadores, que se dedique á cultura do arroz, que disse deve perceber, agora de árvores, nada. A Cãmara deve tormar posição sobre este atentado.

Por: Kocas (2010-01-27 14:08:08)

Ainda nao passaram 3 meses da tomada de posse da nova Junta, e ja se começam a cometer atrocidades. Cortar arvores com dezenas de anos sem sequer colocar a questao a especialistas. Onde esta a defesa do ambiente e da natureza? Aquele local tem sido usado por pessoas de Maiorca, e de fora, para piqueniques e lazer, todos os fim-de-semanas com bom tempo. Onde esta a defesa do bem estar da população? E a desculpa que dão, depois de terem visto que fizeram asneira... para pagar divida... era de rir se nao fosse tão grave. Por essa lógica terraplanava-se o Pinhal de Leiria, do Pedrogão, etc. para Portugal sair da crise. Isto não se trata só de ignorância e incompetência por parte da actual junta. Trata-se de um acto arrogante e provocador á população. Uma tentativa de "mostrar quem manda" á sociedade civil maiorquense. Mas saiu o tiro pela culatra. Fizeram uma asneira, uma aberração, irreparavel. Exige-se um pedido de desculpa publico á população. E os maiorquenses não podem ficar calados. Têm de o exigir.

Por: Luis Melo (2010-01-26 21:33:04)

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