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Terça-Feira, 7 de Setembro 2010
Escrito por Bruno Vicente   

água estagnada há dez anos é um risco

Lixo e animais de prédio
abandonado perturbam
cidadãos há dez anos

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Imóvel devoluto na Avenida Emídio Navarro “não dignifica a cidade”. Moradores
estão indignados com “situação vergonhosa” que é um perigo para a saúde pública

Os habitantes da Rua da Alegria estão revoltados com as consequências negativas causadas por um prédio abandonado uns metros abaixo, na Avenida Emídio Navarro. Uma empresa privada iniciou uma obra de restauro de um imóvel, que nunca foi concluída. A área é, actualmente, um verdadeiro perigo para a saúde pública, por ser um “viveiro” para mosquitos, melgas, ratos, ratazanas e outros animais que, frequentemente, invadem as casas dos cidadãos.

O imóvel tem um piso submerso, o equivalente a três metros de altura de água estagnada. Entre a água e a vegetação espessa que ali vai nascendo é possível ver um suporte de uma grua e outro material abandonado que foi utilizado nas obras. A situação é piorada com o lixo que algumas pessoas atiram para o espaço, criando assim um perigoso “cocktail” para a saúde pública.

Ano após ano os cidadãos têm apresentado diversas queixas junto à Câmara Municipal de Coimbra, mas a situação continua por resolver «dez anos depois», o que deixa os moradores «muito indignados».

«É uma situação vergonhosa. Há sempre animais e mau cheiro nesta zona, mas é pior nos meses mais quentes. No Verão melgas e mosquitos saem aos milhões do prédio abandonado e as nossas lâmpadas de iluminação ficam escuras, não se vê nada na rua, de tanto bicho», afirmou António Pereira, de 67 anos, um dos responsáveis da Tipografia Bélita. Mesmo no início de Fevereiro é impressionante a quantidade de animais que habitam o espaço, como o Diário de Coimbra teve oportunidade de constatar.

Sílvio Augusto Dinis mora na Rua da Alegria há 52 anos. «Para além dos insectos e dos ratos, o que é mais terrível é o cheiro que nos entra em casa, já para não falar da falta de segurança daquilo», recordou o homem de 72 anos. «Não percebo por que isto continua assim», acrescentou.

A Rua da Alegria é local de passagem diária de centenas de cidadãos, ao quais o cenário desolador não passa despercebido. É o caso de José Pimentel, de 63 anos. «Nos últimos dez anos tenho passado por aqui e não vi nenhuma obra de reestruturação, como devia acontecer. Isto não dignifica a cidade. Estamos a falar de um prédio antigo e é preciso que se mantenha este património, mas às vezes parece que é mais fácil deixar ruir para fazer mamarrachos», constatou o cidadão, recordando que o problema dos imóveis devolutos se estende a outros locais da cidade, nomeadamente na zona da Baixa.

“É o nosso Loch Ness,
com monstrinhos lá dentro”

A única intervenção realizada no imóvel ao longo dos anos teve mais a ver com o aspecto visual. O prédio observado da Avenida Emídio Navarro parece estar em boas condições, com as paredes pintadas e as janelas tapadas com cimento. O pior é quando se observa o imóvel a partir da Rua da Alegria. Aí o cenário é terceiro-mundista (ver fotografias).

O provedor do Ambiente e da Qualidade de Vida de Coimbra, Massano Cardoso, recordou ao Diário de Coimbra que nos últimos anos fez tudo para tentar resolver a situação. «Denunciei sempre este caso e não entendo porque não se actua. É lamentável e garanto que, se o problema não se resolveu, não é por culpa da Provedoria», afirmou o responsável, explicando que a solução tem de passar pela intervenção da Câmara Municipal de Coimbra e pela Autoridade de Saúde do Concelho de Coimbra.

«Eu não sei, nem quero saber, se a situação mete empresas privadas, ou tribunais, ou o que for, só sei que do ponto de vista ambiental isto constitui um risco muito grande para a saúde pública», disse. Para evitar males maiores é preciso «aterrar aquilo, porque estão ali milhares e milhares de litros de água proveniente do Mondego».

«É o nosso Loch Ness, com monstrinhos lá dentro e tudo. É indescritível a quantidade de pestes que andam ali. No Verão há ratazanas e nuvens de mosquitos verdadeiramente assustadores», concluiu Massano Cardoso.

Autoridade de Saúde só
intervém com autarquia

Os problemas em torno do imóvel terão surgido quando uma empresa privada abandonou as obras de reestruturação que estava a executar, depois de ter encontrado, durante as escavações, um extenso “lençol de água”. A intervenção foi abandonada, o caso terá ido a tribunal, mas a empresa e a autarquia não chegaram ao acordo necessário para resolver o problema.

«O edifício pertence a uma empresa que iniciou a obra e ficou sem disponibilidade para continuar, depois de já ter feito uma grande escavação. A Câmara notificou várias vezes a empresa depois de esta abandonar a obra, para que tomasse as medidas necessárias, mas não resultou, e não podemos intervir por ser propriedade privada», afirmou ao Diário de Coimbra o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Carlos Encarnação, que não considerou a hipótese de posse administrativa do imóvel.

Recorde-se que uma intervenção no local, independentemente de ser para reestruturação ou destruição, vai exigir sempre um investimento económico muito significativo.

Entretanto, os responsáveis da Autoridade de Saúde do Concelho de Coimbra explicaram ao nosso jornal que só podem intervir em conjunto com a autarquia. «Nestes casos a Câmara tem que se articular connosco, caso considere útil uma intervenção conjunta. Mas não estou a par do assunto e não me parece que os meus colegas tenham este assunto em mãos», afirmou a responsável Sara Nascimento, garantindo depois que vai estar atenta ao problema.

Actualizado em ( 2010-02-09 01:41:44 )
 

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