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abandona CRUP Reitor da UC critica cursos a mais
O presidente do Conselho de Reitores (CRUP), Seabra Santos, defende que o Governo deve, com urgência, promover uma reestruturação e redução dos actuais cinco mil cursos superiores e critica a abertura de novas licenciaturas em Medicina.
O reitor da Universidade de Coimbra, que hoje cede o lugar no CRUP com a eleição do novo presidente, considera, «mais do que provável, desejável» que a avaliação iniciada este ano pela Agência Nacional de Avaliação e Acreditação leve ao encerramento de parte do «exageradíssimo número de cursos».
«Tanto a racionalização da rede como o ordenamento da oferta educativa são assuntos que não podem passar exclusivamente pela iniciativa das instituições, têm de passar pela existência de uma política nacional», frisou, em declarações à Agência Lusa.
Na sua opinião, nem todos os cursos existentes – que actualmente são cerca de 5000 – devem continuar a funcionar e «as mil ou 900 designações [de cursos] devem ser reduzidas a pouco mais de uma centena» para as universidades e outras tantas para os politécnicos.
Fernando Seabra Santos sustenta que, para isso, é necessária uma «profunda reestruturação da oferta educativa e, naturalmente, consenso, entre as instituições», o que «só será possível com uma intervenção forte do Governo».
O catedrático lembra que já em 2005 o CRUP propôs ao ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, uma limitação das designações dos cursos do 1º ciclo «a pouco mais de 100/120» para cada um dos sistemas superiores, mas a proposta «não foi tida em consideração».
«Não retomei ainda esse dossier com o senhor ministro, não sei o que ele acha sobre o assunto, mas, do meu ponto de vista, era urgente que ele pegasse nisto», afirma.
Aludindo ao processo de Bolonha, o presidente do CRUP diz «não entender» como, por exemplo, «continua a haver 50 ou 60 cursos de gestão de 1º ciclo nas instituições portuguesas com 50 nomes diferentes». «Não se justifica esta diversidade, que não é uma mais valia, não credibiliza o sistema. A maior parte das designações são inventadas apenas para serem apelativas no plano comercial e é um mau princípio», criticou.
Confrontado com a abertura de novos cursos de Medicina nas universidades do Algarve e de Aveiro, o presidente do CRUP questionou se o país não estará a desperdiçar recursos.
«Segundo o rácio, muito citado internacionalmente, de um curso de Medicina por dois milhões de habitantes, Portugal devia ter cinco e já vai, salvo erro, em nove, no dobro. Estamos eventualmente a desperdiçar recursos, mas o senhor ministro terá outras informações que estarão na base da decisão que tomou», comenta o reitor de Coimbra.
O novo presidente do Conselho de Reitores será eleito na reunião ordinária do órgão, hoje em Lisboa, e deverá tomar posse na reunião seguinte do CRUP, que habitualmente se realiza na primeira terça-feira de cada mês.
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