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Sexta-Feira, 3 de Setembro 2010
Escrito por Bela Coutinho   

Maiorca 

Junta dizimou
eucaliptal para
saldar dívidas

Do eucaliptal, que existia há mais de meio século (segundo testemunhos de moradores da zona), junto ao Parque do Lago em Maiorca, já só restam memórias e mágoa. Alguns residentes naquela zona manifestaram ontem a sua tristeza ao nosso Jornal, dizendo que não percebem os motivos que levaram à destruição. «Numa altura em que tanto se fala do ambiente, fazerem uma coisa destas, só mesmo no nosso país», salientou um morador da zona, que não percebe como é que «a outra junta gastou tanto tempo e dinheiro a tratar disto, para agora virem estes e deitarem tudo abaixo».

Aquele eucaliptal dava acesso ao Parque do Lago, um espaço privilegiado, inaugurado no início do novo milénio e que contempla diverso equipamento, designadamente um moinho (onde ainda se fazia moer o trigo para as crianças das escolas verem como se fazia antigamente), a piscina, o largo da feira, entre outros, que ligavam ao eucaliptal agora destruído, onde «muita gente», segundo os maiorquenses, «no Verão fazia piqueniques, aproveitando a sombra». 

Contactado pelo nosso Jornal, José Ligeiro ex-presidente da junta durante vários mandatos, num dos quais o parque foi construído, não escondia o «sentimento de tristeza que me invade. Eram eucaliptos com mais de 30 metros de altura, uma zona que era gabada até por ranchos estrangeiros que nos visitavam e agora deitaram tudo abaixo, cortaram tudo», dizia, consternado com a situação. «Lamento imenso, passei os melhores anos da minha vida a tentar preservar com tanta dificuldade e agora ver aquilo, é de profunda tristeza», sublinha, recordando que aquele «é um espaço público, da câmara municipal. Nós na junta é que íamos olhando por aquilo, mas a escritura é da câmara», conclui.

Por seu lado, o actual presidente da junta admitiu que foi ele que mandou cortar as árvores e explica: «porque os eucaliptos já não dão mais e temos que rentabilizar para pagar as dívidas que temos. É um espaço que não é utilizado, ninguém fazia uso dele. Como a junta tem 30 mil euros de dívida, há que rentabilizar». No entanto, Filipe Dias garante que os eucaliptos cortados «vão ser substituídos por outros eucaliptos» e salienta que no próprio Parque do Lago «a minha ideia é colocar mais árvores, não é retirar».

Já o vereador do ambiente considerou que, sendo o eucaliptal da câmara municipal, o autarca «deveria ter solicitado autorização no sentido de proceder ao corte, mas julgo que agiu de boa fé, pensou que seria de gestão da própria junta». António Tavares deixa ainda a garantia de que irão «fazer intervenção no sentido de reposição do que foi cortado».

Árvores “decepadas”
e não “podadas”

A forma como a poda está a ser feita nas árvores do antigo Largo da Feira deixa os residentes «estupefactos», sem «memória de uma razia destas. Isto vai matar as árvores, de certeza», dizia um dos frequentadores daquela área.

A indignação também chega do antigo presidente da junta, que recorda que, há uns anos atrás, pediu ao especialista Francisco Coimbra (considerado como uma referência em termos de árvores florestais e ornamentais), que aconselhasse «e ele veio dar explicações como se devia cortar. A opinião era que nem se devia mexer, mas a cortar, nunca se deve cortar os troncos, para preservar. O que ali andam a fazer é decepar, é o processo mais rápido e não ter noção que árvore é um ser vivo». José Ligeiro sublinha que, assim, as árvores não vão ter «capacidade de encobrimento», e irão definhar. «Chama-se a isso, morte lenta. É um crime ambiental», porque «abriram feridas enormes que nunca mais vão sarar».

O actual presidente da junta explicou entretanto que «o rapaz que está à frente do pessoal da junta, aconselhou-se e disseram-lhe que, de xis em xis anos tem que levar um corte mais profundo. E é isso que está a fazer», concluiu o autarca. Por seu lado, o vereador do ambiente sublinhou que a poda «tem que ser feita com alguma parcimónia e quando forem brigadas da junta, devem aconselhar-se junto de quem sabe. Ainda são vícios do passado, difíceis de controlar, porque estamos aqui há pouco tempo», concluiu António Tavares.

Actualizado em ( 2010-01-26 00:29:31 )
 

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