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Sexta-Feira, 3 de Setembro 2010
Escrito por Andrea Trindade   

acreditar poderá acolher 20 famílias 

Uma casa longe de casa
para as crianças doentes

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Cada quarto custa 12 mil euros por ano à Acreditar, que reforça o apelo ao mecenato

A casa destina-se às crianças e nada melhor do que a inaugurar com as suas vozes. Sobre a amizade e sobre Coimbra, à porta da nova Casa da Acreditar, cantaram os meninos do Externato João XXIII, seguidos dos mais crescidos, os membros da Tuna de Medicina da Universidade de Coimbra. Com convidados vindos de todo o país, ontem foi dia de festa para a instituição.

A Casa de Coimbra tem capacidade para acolher 20 famílias em simultâneo, crianças com cancro, mas também com outras patologias, assim seja necessário. «Vista de fora não é mais do que uma casa», um conjunto harmonioso de divisões, servido de todos os equipamentos necessários, disse o presidente da direcção da Acreditar, João Bragança. No entanto, é muito mais do que isso. Para as crianças doentes e seus familiares, esta será «uma casa longe de casa».

O responsável da instituição sublinhou a partilha dos pais, com preocupações idênticas, o acolhimento e o apoio para que a esperança nunca os abandone. Lembrando o nascimento da Acreditar, há 16 anos, fruto da iniciativa de um grupo de pais, João Bragança falou das actividades desenvolvidas, não só através das casas que já têm – Lisboa, Funchal e agora Coimbra – mas também o apoio financeiro e alimentar prestado às famílias, a angariação de fundos, os campos de férias, a presença em congressos ou as publicações realizadas.

«No fundo do nosso coração reside a esperança de que um dia assinaremos a declaração de cessação de actividade da Acreditar, atirando a oncologia pediátrica para o baú das doenças extintas», disse, acrescentado que, até que esse dia chegue, a instituição «estará na linha da frente de tudo o que for importante para as nossas crianças».

Três mecenas já assinaram
A Casa da Acreditar vem dar às famílias - que serão sempre sinalizadas e encaminhadas pelos serviços sociais dos hospitais - a possibilidade de acompanharem as crianças que se encontram em tratamento ambulatório, não só com a doença oncológica mas também com outras patologias que requerem o mesmo nível de acompanhamento regular. João Bragança disse aos jornalistas que deverá ser reservado um número mínimo de quartos para crianças com cancro.

«Não temos lucros e a única riqueza que geramos é o serviço prestado aos outros». O presidente da Acreditar agradeceu aos mecenas que apoiaram a construção e referiu que o desafio é agora conseguir apoio para funcionamento. A instituição estima que, por ano, um quarto custe cerca de 12 mil euros. Em Coimbra, a cooperativa farmacêutica Plural, a Mota Engil e a Associação D. Pedro V formalizaram ontem o seu apoio, mas ficam ainda a faltar 17 quartos.

Recorde-se que as famílias não pagam qualquer valor para estarem na casa e que, aos custos de funcionamento destas estruturas, a Acreditar soma os de cabazes alimentares e apoios financeiros para famílias carenciadas, bem como a disponibilização de perucas e próteses.

O terreno onde foi construída a casa fica situado junto do Hospital Pediátrico, e foi cedido pelos Ministérios da Saúde e das Finanças. A casa, resultado de um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros, tem vinte quartos e várias áreas comuns, distribuindo-se por três pisos, numa área total de construção de 1 577,9 metros quadrados. Enquanto o novo Hospital Pediátrico não estiver a funcionar, a Casa da Acreditar providenciará transporte das crianças e familiares para o hospital.

Actualizado em ( 2009-11-19 10:09:51 )
 

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