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em dezembro Loja maçónica "de elite" vai abrir na Mealhada
Pretende dar respostas de proximidade «aos muitos irmãos que existem na região Centro» e vai abrir para o mês que vem, no centro da Mealhada. Falamos de uma nova loja maçónica, da Grande Loja Nacional Portuguesa, uma das várias existentes em Portugal, mas a única reconhecida oficialmente pela Grande Loja Nacional francesa, refere Carlos Breda, um dos co-autores do projecto.
Com as necessárias (e muitas reservas) que rodeiam uma organização desta natureza, aquele responsável explicou ontem ao Diário de Coimbra que, inicialmente, o projecto passava por criar uma loja em Coimbra. Todavia, a decisão acabou por “colher votos” para a Mealhada. «Alguns irmãos da região decidiram criar um triângulo para avançar com a loja», explicou Carlos Breda, que sublinha a «centralidade da Mealhada» e a sua proximidade relativamente a outras localidades, onde também existe «um grande número de irmãos», como é o caso da Figueira da Foz, Viseu ou Aveiro. «A Mealhada é mais central», sublinha, considerando que, também o facto de ser «uma zona mais calma», pesou nesta decisão, que se enquadra num projecto global, que se tem vindo a desenvolver em Portugal, no sentido da «expansão da maçonaria».
Afastando de todo a ideia de uma seita, aquele co-dinamizador do projecto entende esta abertura também como uma forma de «desmistificar a maçonaria» e, ao mesmo tempo, dar «uma resposta de proximidade». Isto porque, afirma, «a loja que actualmente existe mais perto funciona em Tábua». A abertura na Mealhada não invalida a continuidade do funcionamento daquela outra estrutura, antes funciona como uma alternativa.
Situada na chamada linha tradicional da maçonaria, a Loja da Mealhada está, à partida, de portas fechadas para as mulheres, mas Carlos Breda assume que já é tempo de «abrir um pouco mais» e admite como equacionar a possibilidade de «abertura às mulheres». Trata-se de uma perspectiva que não tem nada a ver com “leis da paridade”, mas com o reconhecimento que «os tempos são outros» e hoje as mulheres não ficam, como acontecia no tempo em que surgiu esta organização, «fechadas em casa», «hoje as mulheres têm lugares de destaque em todos os sectores, desde a política à economia», assume.
Apesar de não fazer voto de silêncio, Carlos Breda escusa-se, todavia, a falar na data precisa de inauguração da Loja da Mealhada («até ao início de Janeiro vai estar a funcionar», diz), o mesmo acontecendo com a sua localização. Em causa estão regras de algum sigilo a que os maçons estão obrigados. Todavia, garante que este será um espaço de encontro regional, nacional e internacional. E assegura mesmo que algumas das reuniões do foro internacional que ocorrem actualmente em Lisboa podem passar a efectuar-se na Mealhada. Aliás, sublinha, isso não tem nada de novo, uma vez que, refere, «ainda recentemente se realizou, na nossa região, perto de Coimbra, um grande encontro». Uma “loja de elite” A Mealhada será, pois, um espaço de encontro e reflexão, ao qual «podem aderir as pessoas interessadas», refere, muito embora a organização enquanto tal não “recrute” elementos. Mas, apesar desta abertura, Carlos Breda deixa já bem vincada a «triagem a efectuar», não apenas junto dos candidatos a maçons, mas também de todos quantos actualmente estão ligados a outras lojas e agora pretendem “transferir-se” para a Loja da Mealhada. «Queremos ser uma loja de elite» e, por isso, «vai haver uma triagem muito acentuada», promete, admitindo que o leque de irmãos na região é transversal, muito embora seja “presidido” pelos juristas, seguido dos médicos. Os políticos são, também, uma presença sistemática, «mas temos todo o tipo de pessoas, em termos profissionais», refere.
Tutelada pelo princípio da ordem, da razão e da justiça, a maçonaria tem vindo a registar, nos últimos tempos, um crescendo significativo em Portugal e o facto de dar conhecimento público da abertura da Loja da Mealhada é, no entender de Carlos Breda, um sinal de que «não queremos esconder-nos». E, apesar de não poder responder a um conjunto de questões, aquele responsável pelo projecto não deixa de sublinhar o sentido solidário que subjaz à organização e ao qual a Loja da Mealhada não é excepção. «Somos um grupo de irmãos solidários, um grupo vocacionado para ajudar», remata.
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