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Nova unidade móvel Cancro da mama com rastreio reforçado na região Centro
A região Centro tem, desde ontem, uma nova unidade móvel de mamografia, que vai contribuir para o aumento da taxa de cura do cancro da mama, o mais mortal do país. «Cerca de 90% dos casos têm cura se forem identificados numa fase precoce», garantiu ontem Natália Amaral, secretária-geral da Liga Portuguesa Contra o Cancro, durante a comemoração do dia internacional de prevenção do cancro da mama.
A nova viatura, que veio substituir outra mais antiga, foi inaugurada no Centro de Saúde de Eiras, seguindo depois para Celas e palmilhando outras cidades do concelho.
A região Centro conta com nove unidades móveis que permitem realizar os rastreios, sendo o único espaço geográfico do país que tem cobertura total de área a nível de concelhos. No total, no Centro do país, a Liga combina o esforço de 50 profissionais da área da saúde.
Cada veículo acolhe dois especialistas. O rastreio permite um diagnóstico precoce, que pode detectar tumores de pequena dimensão, muitas vezes não palpáveis e só visíveis através da mamografia ou ecografia.
O exame é então estudado por dois radiologistas. «Se algo for detectado estas mulheres são atendidas à frente de qualquer outra mulher. Em Coimbra são reencaminhadas para o IPO, os HUC ou a Maternidade Bissaya Barreto, sendo tratadas no prazo de um mês», explicou Natália Amaral.
O rastreio do cancro da mama é dirigido a mulheres com idade compreendida entre os 45 e os 69 anos, sendo repetido de dois em dois anos, altura em que as unidades móveis de mamografia se deslocam aos concelhos. As cidadãs recebem em casa uma convocatória a alertar para a situação.
A Liga Portuguesa Contra o Cancro promove, desde 1990, o Programa de Rastreio de Cancro da Mama, que não tem custos para os cidadãos.
O presidente nacional da Liga, Vítor Veloso, anunciou ontem que todos os anos surgem 4.500 novos casos de cancro da mama em Portugal, que acabam por vitimar mais de 1.600 mulheres, uma média de cinco por dia.
As estimativas apontam para 430 mil novos casos na Europa por ano e que uma em cada dez mulheres venha a desenvolver a doença antes dos 80 anos. Dois milhões investidos na digitalização As unidades móveis de mamografia estão equipadas com tecnologia recente. Só na região Centro foram gastos dois milhões de euros para garantir a digitalização da imagem nos testes, que veio substituir o equipamento tradicional.
«O exame das unidades móveis não é deficiente em relação aos realizados em consultórios. Todas as viaturas têm material digital, o que não acontece nalguns consultórios», explicou Augusta Mota, da Administração Regional de Saúde do Centro. A directora executiva do agrupamento de centros de saúde do baixo Mondego 1, que inclui Coimbra, Penacova e Condeixa, considera mesmo que o rastreio do cancro da mama, suportado pela nova tecnologia, «é uma arma poderosa», que tem sido muito útil para evitar uma taxa de mortalidade superior.
«Desde que foram criadas as unidades móveis, a taxa de adesão das mulheres superou os 50% em Coimbra. Nos concelhos de Penacova e Condeixa a adesão está acima dos 60%. São valores muito bons», concluiu a responsável, que participou numa conferência de imprensa que teve lugar no Centro de Saúde de Eiras.
A comemoração do dia internacional de prevenção do cancro da mama incluiu ainda uma cerimónia nocturna, no Pavilhão Centro de Portugal, onde o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra entregou à Liga um «importante donativo».
O dia de ontem ficou também marcado pelo lançamento nacional da “t-shirt contra o cancro”, desenhada pelo estilista José António Tenente.
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