|
definição da carreira Polícias Municipais protestam à porta da ANMP  Vigília juntou ontem mais de duas centenas de agentes. Hoje há nova manifestação em Coimbra
Mais de duas centenas de agentes da Polícia Municipal, de vários pontos do país, manifestaram-se ontem, ao final do dia, junto às instalações da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) contra a falta de definição na carreira. Hoje, outros tantos deverão voltar a encontrar-se em Coimbra, no mesmo local, para as mesmas reivindicações. A diferença está no sindicato que promove a manifestação.
«Contactámos o STAL para que fosse realizada uma manifestação conjunta, mas não tivemos qualquer ‘feed-back’ e decidimos avançar com uma iniciativa que é aberta a associados e a não associados», explicou ao Diário de Coimbra Carlos Borges, presidente do Sindicato Nacional dos Polícias Municipais (SNPM), que ontem tornou público o descontentamento dos agentes em relação à forma como o Governo e os decisores políticos estão a tratar a carreira.
«Há uma grande falta de definição. Uns têm vinculação à Função Pública e outros são contratados, com o que isso representa para a isenção a imparcialidade», adiantou o dirigente, referindo-se ao facto de existirem em Portugal polícias municipais «de primeira» – de Lisboa e Porto, afectos à PSP – «e de segunda» – dos restantes 29 municípios com este tipo de agentes – «com salários diferentes – cerca de 300 euros a mais – e uma arma de calibre superior». Neste momento, existem 1250 PM em todo o país, sendo que 596 são de Lisboa e do Porto. Os restantes 654 estão espalhados pelos 29 municípios que possuem esta carreira.
Esta é apenas uma vertente do descontentamento da maioria dos agentes. Em causa está agora o Estatuto Profissional da Policia Municipal, cuja primeira versão apresentada era do agrado dos sindicatos que participaram nas negociações, uma vez que tinha em conta aspectos fundamentais como a manutenção do regime de nomeação ou a valorização remuneratória, mas que agora, numa segunda versão, «apenas se limita a apontar os direitos e deveres da Polícia Municipal». Uma alteração que, segundo Carlos Borges, «é inaceitável».
Esta mudança dever-se-á ao facto da ANMP ter votado contra a primeira versão do estatuto, razão pela qual o SNPM terá decidido manifestar-se ontem junto às instalações daquela associação, em Coimbra. Os agentes pretendem, com esta iniciativa, mostrar o descontentamento com que têm exercido as suas funções, bem patente no facto de, nos últimos dois anos, em muitos concelhos, o número de efectivos ter diminuído consideravelmente.
«Em Aveiro, a redução é de 25% e em Gondomar, de 45%», adiantou o dirigente, confessando que a carreira de Polícia Municipal é «cada vez menos atractiva, quase uma desilusão» e garantindo que muitos dos agentes estão, neste momento, a candidatar-se a concursos para outras carreiras, nomeadamente na ASAE. «É uma carreira pouco atractiva, somos mal equipados e os salários são idênticos aos de um normal administrativo numa autarquia», continuou Carlos Borges, considerando «uma aberração» a forma como os agentes têm sido tratados.
Contra “prepotência” do Governo São exactamente estas as queixas que voltarão a ser ouvidas hoje, pelas 10h30, novamente à porta da ANMP. Desta vez, é o Sindicato de Trabalhadores da Administração Local (STAL) quem organiza uma manifestação onde, fundamentalmente, é criticada a «prepotência» do Governo face à carreira da Polícia Municipal, nomeadamente no que diz respeito ao direito à carreira, às remunerações e condições de trabalho.
Uma atitude que, segundo o STAL, num documento enviado à Comunicação Social a dar conta da manifestação, é demonstrativa da «falta de vontade do Governo de regulamentar matérias relativas a carreiras, remunerações e outras condições de trabalho no sector». Também este sindicato se revia na “primeira versão” do estatuto e critica o facto de a “segunda”se limitar «a estabelecer normas de natureza deontológica e sobre equipamento».
O STAL já terá manifestado a sua «surpresa e indignação» com esta “mudança de rumo” junto da secretaria de Estado da Administração Interna, estando também pedida uma reunião com urgência para «retoma do anterior projecto e concretização da justa regulamentação, particularmente das carreiras e remunerações», refere o documento.
O Diário de Coimbra tentou obter esclarecimentos de Francisco Borges, presidente do STAL, sobre a razão pela qual não terão querido organizar uma manifestação em conjunto com o SNPM, o que se revelou impossível.
|