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Sexta-Feira, 3 de Setembro 2010
Escrito por Patrícia Isabel Silva   

PARA CONTROLAR REPRODUÇÃO DOS POMBOS 

Espigões de aço e pombais
tentam afastar "praga urbana"

O projecto-piloto de um pombal junto ao Horto Municipal vai
substituir os ovos reais por outros de plástico e gesso

A Câmara Municipal de Coimbra não desiste de tentar afastar o maior número de pombos possível do centro histórico da cidade. A degradação dos edifícios, a sujidade e o perigo da propagação de doenças são problemas antigos e criticados por alguns, mas podem ter os dias contados, caso a acção que a autarquia tem programada dê resultado.

A primeira parte do plano está já em andamento. Colocar espigões de aço em alguns edifícios municipais, de modo a que os pombos não consigam pousar nos beirais. Na recuperada fachada dos Paços do Concelho estes dispositivos estão já instalados e, de acordo com Veiga Simão, director do Departamento de Ambiente e Qualidade de Vida da autarquia, já se sente este efeito dissuasor.

O objectivo, explicou, é estender os espigões em edifícios como a Casa Aninhas ou o Museu do Chiado, havendo mesmo particulares que estão já a solicitar à câmara este material para colocar nas suas casas, a fim de evitar a presença dos pombos. Com esta medida, concretiza-se um dos objectivos, que é afastar os pombos do centro da cidade, o que facilita a entrada em acção da segunda parte do plano. A ideia passa por construir pombais na periferia e dentro da cidade.

O projecto-piloto vai ser uma infra-estrutura a instalar junto ao Horto Municipal, nos Campos do Bolão, com capacidade para 200 casais de pombos. Lá, as aves serão alimentadas normalmente, sem qualquer aditivo contraceptivo, e terão também áreas para nidificar. A única medida preventiva para impedir a reprodução é a substituição dos ovos reais por outros de plástico ou de gesso, explica o director municipal. Depois serão instalados pombais mais pequenos em zonas urbanas, como o Jardim da Sereia ou junto às margens do Rio Mondego, completa o vereador Luís Providência, acrescentando que o processo ainda não avançou porque tem estado a aguardar por respostas a uma consulta lançada pela Divisão do Património e Aprovisionamento a empresas especializadas na matéria para realizar concurso e ficar a par dos preços de mercado.

Aproveitamento turístico
No entanto, nenhum concorrente se mostrou interessado, avançando ainda uma segunda tentativa, também sem resultados práticos. Agora, a proposta da Divisão de Ambiente e Qualidade de Vida é para que seja a própria Câmara Municipal a adquirir o material necessário para colocar o plano em marcha, caso continue a não existir nenhuma empresa (das poucas existentes no mercado) a manifestar interesse em colaborar nesta missão de afastar dos pombos do centro histórico de Coimbra.

Nas perspectivas de Luís Providência, dentro de dois/três anos, o primeiro pombal deverá começar a atrair as aves. Esta acção, que resulta de uma recomendação do veterinário belga Marc Ryon, conta também com a colaboração da Federação Portuguesa de Columbofilia, especialmente na recuperação de pombos-correio.

É que não raras vezes, entre as dezenas de aves que rondam a Baixa da cidade encontram-se alguns pombos-correio anilhados que perderam o rumo e que, agora em ambiente mais controlado, podem ser devolvidos aos donos. Recorde-se que numa altura em que a Câmara Municipal de Coimbra ainda procurava soluções para esta "praga urbana", Sidónio Simões defendia que os pombos poderiam ter um aproveitamento turístico, à semelhança do que acontece noutras cidades europeias, nomeadamente em Veneza.

O director do Gabinete para o Centro Histórico acreditava que permitir que as pessoas alimentassem as aves unicamente com um alimento contraceptivo poderia ajudar a resolver parte do problema. No entanto, esta ideia não vingou.

 

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