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Passeio na cidade Encantos de Coimbra descobertos a caminhar  Mais de 200 pessoas aceitaram o desafio e caminharam “com o Coração” pelos mais emblemáticos jardins da cidade
Há 47 anos que Carlos Lapa não vê aquelas canas da índia gigantes. Da última vez que passou por elas era chefe de turma do 5.o ano e estava a descobrir o Jardim Botânico com os colegas de escola e o professor de Português. Quase meio século depois, a nostalgia e a saudade “embrulham-se” com o deslumbramento de quem descobre a zona mais desconhecida de um dos principais espaços verdes da cidade. «Que coisa linda», comenta. Mão dada com Elisa Lapa, a mulher, Carlos Lapa caminha, enquanto passa os olhos por cada recanto da verdadeira floresta “encantada” que o Jardim Botânico tem escondido do público. Plantas e árvores de perder de vista, pintadas com flores de todas as cores, um corredor imenso de canas de índia gigantes. Verde, muito verde desde a Alta até à Rua da Alegria, junto ao Parque da Cidade. Conhecer a parte interdita ao público do Jardim Botânico é o momento mais marcante da segunda edição da caminhada solidária “Coimbra Caminha com o Coração” que consegue convencer mais de 200 pessoas a levantar da cama mais cedo numa manhã de domingo que, apesar das ameaças, consegue segurar a chuva e oferecer até uns bons raios de sol. Motivações não faltam. A primeira é mesmo ajudar o coração, andando. E, depois, ajudar a Associação Saúde em Português que vem desenvolvendo um projecto na Guiné, mais propriamente em Bafatá, para apoiar a população daquele que é o terceiro país mais pobre do Mundo. Por fim, “Caminha com o Coração” é um convite dirigido a Coimbra para que conheça os seus espaços mais mágicos, mas desconhecidos da maioria das pessoas. E, aqui, o sucesso é mais que muito. «Só por isso já vale a pena», garante Carla Nazaré que, juntamente com Carolina, de quatro anos, não podem fazer um balanço mais positivo da estreia nestas lides das caminhadas por uma causa, pelo lado solidário e saudável, mas especialmente pela descoberta que proporciona. Acabada de sair do Jardim Botânico pelo grande portão de ferro, agora aberto, na Rua da Alegria, Carla está «encantada» com o que deixa para trás e espera poder repetir. Passam uns bons minutos das 11h00. A caminhada tinha-se iniciado há uns quilómetros atrás. Às 10h00 em ponto, na Sereia. «Começamos logo a subir?», ouve-se entre a multidão que, realmente, “escala” a subida empedrada que vai dar à entrada de cima do jardim. Os goles nas garrafas de água dão coragem para enfrentar o primeiro desafio de um percurso com seis quilómetros até à outra margem do rio, junto ao Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Há quem fale já em fazer batota e encurtar caminho. Mas é só brincadeira. Ninguém desiste logo na primeira dificuldade e há muito ainda por caminhar. Na Sereia começa a descoberta. Há quem aproveite para espreitar o “novo” Campo de Santa Cruz, há quem recorde aventuras de infância e até quem lamente uma certa degradação física daquele espaço verde de Coimbra. Descobertas e recordações «Há 20 anos podia vir-se para aqui à vontade, agora nem pensar», desabafa uma “caminhante” para a amiga que, deslumbrada, apenas repara na beleza daquele jardim histórico da cidade: «Isto é muito bonito. Que delícia!», comenta. Conversa puxa conversa. E as conversas são variadas. Até se fala de política e de políticos. Um quarto de hora basta para entrar no próximo “pulmão” de Coimbra: o Jardim Botânico. Aqui, os guias turísticos são quase tantos quantos os participantes. Também ali se lamenta a falta de segurança e de condições «para ler um livro ou passear» e alguma degradação visível do espaço. Mas a beleza de cada árvore, de cada flor, de cada lago, colmata qualquer crítica. A grande emoção é mesmo a passagem pela zona interdita ao público que está aberta especificamente para a caminhada, organizada pela Associação Saúde em Português, em parceria com a delegação do Centro da Fundação Portuguesa de Cardiologia, a Associação Desporto para Todos de Coimbra e o Clube de Veteranos de Atletismo de Coimbra. «Por aqui nunca passaste», ouve-se. E é verdade. A maioria nem sabia, sequer, que o Botânico tem uma verdadeira floresta “encantada” escondida. É o caso da Carolina. Não podia estar mais deslumbrada com o passeio e, especialmente, com as descobertas no Botânico. «É tudo muito bonito, gostoso», comenta, com a irreverência de quem tem 10 anos e está mais habituada a andar… «de carro». Mas fica a promessa. Se é para ter mais aventuras destas, então daqui para a frente vai passar a andar mesmo a pé e participar em mais caminhadas do género.
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